Varginha, a Necrópole de Direitos: a Autópsia de Uma Cidade Que Foi

Como a “Cosa Nostra Caipira” de Bemfica e Rezende transformou o Sul de Minas em um laboratório de eugenia social, roubo de órfãos e proteção a pedófilos — e como seus herdeiros hoje lavam essa história com dinheiro de mensalidade.


BEM-VINDOS AO MATADOURO

Esqueça a Varginha do café, do desenvolvimento ou do folclore ufológico. A cidade que emerge dos arquivos secretos do SNI, do DPF e do Ministério da Justiça é um cativeiro a céu aberto. O que governou este município nos últimos 60 anos não foi a democracia, nem a Constituição, nem a moral cristã. Foi uma Organização Criminosa Hereditária.

Durante décadas, a população viveu sob o tacão de uma tirania bicéfala: o Juiz Francisco Vani Bemfica (o martelo que esmaga) e o Deputado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende (o escudo que protege). Eles não eram servidores públicos; eram os proprietários da vida, da morte e do patrimônio alheio. Eles transformaram o Fórum em um balcão de negócios, a Fundação Educacional em lavanderia de dinheiro e a sociedade em um harém para seus vícios.

Este dossiê é a exumação desse cadáver. Ele prova que a “respeitável” Faculdade de Direito (FADIVA) foi construída sobre um terreno de estelionato, cimentada com o silêncio de estupros e pintada com o sangue de inocentes.


A GÊNESE DO VÍRUS (1962-1970)

A tragédia de Varginha começou com uma fraude biográfica. Francisco Vani Bemfica não chegou à cidade como um jurista; chegou como um indigente funcional. Os relatórios da Polícia Federal são impiedosos: ele desembarcou em 1962 “pobre no sentido econômico”, “com as mãos vazias”, trazido como um “jagunço de toga” pelo chefe político local, o coronel da UDN, Morvan Acayaba.

Ali nasceu a “Sociedade de Fato”. Não era uma amizade; era um pacto de sangue e butim. A divisão de tarefas era clara: Morvan trazia os clientes e a proteção política; Bemfica fornecia as sentenças e a coação.

  • O “Headhunter” do Crime: O Juiz não esperava a corrupção bater à porta; ele a convidava para entrar. Ele abordava médicos e empresários locais (como o Dr. Hélio) com propostas explícitas para entrarem na “vida forense”, prometendo “bons negócios” em leilões judiciais. Ele transformou a magistratura em uma corretora de imóveis viciada.

O ROUBO DOS MORTOS (A IMOBILIÁRIA FORENSE)

A voracidade da dupla não respeitava o luto. Eles desenvolveram uma especialidade macabra: o Insider Trading de Cadáveres.

  • O Caso da Fazenda da Barra: A prova definitiva do banditismo togado. O Juiz Bemfica presidia o inventário de José Bastos de Avelar. Em vez de partilhar os bens, ele decidiu ficar com eles. Violando o Artigo 1.133 do Código Civil, ele comprou os direitos hereditários por um valor vil (Cr$ 50.000,00), financiado por agiotas.
  • A Lavagem: Para esconder o roubo, ele manteve a presidência do processo até o último segundo. No ato final, declarou-se “impedido”, chamou um juiz substituto fantoche (Dr. Nadra) apenas para assinar a adjudicação e transferiu as terras para seu nome.
  • O Lucro: Meses depois, revendeu parte das terras por Cr$ 154.000,00. Lucro de mais de 200%. Ele não julgou o morto; ele saqueou o caixão. E quem escreveu a escritura do crime? O escritório de Morvan Acayaba.

O ESGOTO MORAL (1970-1974)

O MATADOURO DE MULHERES E CRIANÇAS

Se o roubo financeiro era sujo, o comportamento sexual e social da dupla era satânico. Varginha vivia um apartheid moral: as leis valiam para os pobres, mas os corpos das mulheres e crianças pobres eram “brinquedos” para a elite.

Açougue Humano: O Caso da Manicure

O assassinato de Maria Sebastiana Lemes (19 anos) é o retrato da barbárie. Atraída para um “ceveiro” (rancho de luxo), ela foi cercada por cinco “filhos de próceres políticos” drogados. Foi espancada, seviciada e queimada com cigarros até a morte.

  • A Cumplicidade do Juiz: Por que os assassinos não foram presos? Porque eram filhos dos amigos de Bemfica e Morvan. O Juiz passava as férias no apartamento de um dos envolvidos (Roberto Fenoci) no Rio de Janeiro. Segundo o Jornal de Minas, Bemfica recebeu dinheiro vivo para “abafar o processo” e sustentar a tese de “acidente”. A vida de uma trabalhadora valia menos que as férias do magistrado em Copacabana.

O Juiz “Pimp”: A Legalização do Estupro

O caso de Elisabete Macedo Hampe Barbosa (13 anos) é o nadir da civilização. Estuprada e grávida, a menina foi levada pela mãe ao Juiz em busca de justiça.

  • A Sentença do Útero: O Juiz não mandou prender os estupradores. Ele olhou para a mãe e disse: “Sua filha não é obrigada a criar isso”. Ele indicou um aborteiro clandestino em Muzambinho, agindo como agenciador de crimes contra a vida para apagar a prova do estupro.
  • O Casamento Forçado: Quando a mãe recusou o aborto, Bemfica e Morvan arranjaram um casamento da menina de 13 anos com um homem de 21. No alvará, o Juiz escreveu: “Que não haja processo criminal”. Ele condenou uma criança a dormir com seu violentador para salvar a “paz social” da comarca.

A Proteção à Pedofilia: O Caso Palmieri

Enquanto mandava meninas pobres abortarem, o Juiz protegia os bacanais da elite. Quando a polícia estourou a casa de Neném Palmieri e encontrou menores, drogas e pederastia, Bemfica mandou arquivar tudo. Ele escreveu que “não houve ato libidinoso”, transformando o tribunal em um escudo para a rede de exploração sexual infantil da alta sociedade.

A PORNOGRAFIA ACADÊMICA

Dentro da FADIVA, o Juiz Bemfica não ensinava Direito; ele praticava assédio.

  • O Harém de Notas: O depoimento de Vilma Amâncio à Polícia Federal expôs o método. O Juiz oferecia notas altas em troca de “viagens” para Belo Horizonte. Quem aceitava, passava. Quem recusava (como Vilma), era perseguida e impedida de advogar na cidade.
  • O Professor Boca Suja: Em sala de aula, ele usava a imunidade de cátedra para verbalizar obscenidades, transformando as aulas de Direito Penal em sessões de humilhação sexual para as alunas, descritas pelo Exército como “pornografia”.

A MÁQUINA DE DINHEIRO (A FUNEVA)

Fundação Educacional de Varginha não nasceu de um ideal; nasceu de um golpe.

  • A Triangulação: Como Presidente da FUNEVA, Bemfica vendeu um terreno da escola por Cr$ 15.000,00 para “laranjas”. Meses depois, ele (Pessoa Física) recomprou o mesmo terreno por Cr$ 10.000,00 e o revendeu com lucro. Ele roubou a própria instituição que presidia. O governo federal classificou isso oficialmente como ESTELIONATO.
  • O Cabide de Ouro: Para garantir o silêncio, a FUNEVA virou um negócio de família. O irmão do Juiz (Carlos Magno) assumiu a tesouraria. O Deputado Morvan recebia salário ilegal de diretor. Eles drenavam as mensalidades dos alunos para financiar suas vidas de luxo e suas campanhas políticas.

O SISTEMA CONTRA O VÍRUS (E A FALHA)

A arrogância derrubou a máscara. Ao tentar usar o SNI para prender jornalistas honestos, Bemfica atraiu a atenção da Ditadura para si.

  • O Veredito: O Ministério da Justiça emitiu o Parecer nº 38/74, o documento mais humilhante da história jurídica de Minas Gerais. O Estado declarou: FRANCISCO VANI BEMFICA É INDIGNO DO CARGO.
  • A “Máfia” Reage: A elite de Varginha, cúmplice até o pescoço, assinou cartas de solidariedade defendendo a “honra” do Juiz ladrão. O Tribunal de Justiça de MG (TJMG), em um ato de corporativismo nojento, salvou o cargo do Juiz por um único voto (13 a 12).
  • O “Prêmio”: Em vez de cadeia, Bemfica ganhou uma aposentadoria remunerada. Em vez de cassação, Morvan ganhou uma cadeira no Senado. O crime compensou.

A METÁSTASE

Você acha que isso é história? Olhe para Varginha hoje. O câncer não foi removido; ele se tornou o sistema imunológico da cidade. A estrutura de poder é exatamente a mesma, apenas modernizada.

  • A Dinastia Bemfica (Os Donos do Prédio): Quem manda na FUNEVA hoje? Júnia Bemfica (Presidente), Márcio Vani Bemfica (Vice-Presidente e filho do Juiz “Indigno”) e Álvaro Vani Bemfica (Diretor). Eles herdaram a chave do cofre que o pai saqueou. Eles vivem das mensalidades pagas pelos netos das vítimas de seu pai.
  • A Dinastia Rezende (Os Donos da Lei): Quem ensina na FADIVA e fiscaliza a lei? Aloísio Rabêlo de Rezende(filho do Senador Cúmplice). Ele é Promotor de Justiça e Professor.
    • O Incesto Jurídico: O Promotor recebe salário da fundação controlada pelo Advogado da parte contrária (Márcio). O Ministério Público de Varginha é um “puxadinho” da FADIVA. A fiscalização é uma farsa.
  • O Monopólio da Pobreza: Thaís Vani Bemfica é Defensora Pública e Coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica. A família Bemfica controla quem recebe justiça gratuita. Se você é pobre em Varginha, você depende da boa vontade da família que historicamente desprezou os pobres.

CONCLUSÃO FINAL: QUEIMEM OS ÍDOLOS

Varginha vive em um estado de hipnose coletiva. A cidade reverencia seus algozes. A placa de bronze na entrada da FADIVA com o nome de Francisco Vani Bemfica é um insulto à memória de Maria Sebastiana, de Elisabete Hampe e de todas as vítimas desse regime de terror.

Esta não é uma “instituição de ensino de excelência”; é o mausoléu de uma máfia.

  • Cada diploma emitido pela FADIVA carrega a marca d’água do estelionato original.
  • Cada sentença proferida por juízes formados ali carrega o DNA da injustiça seletiva.
  • Cada real pago em mensalidade alimenta a dinastia que sequestrou a cidade.

Enquanto os nomes Bemfica e Rezende estiverem no comando, Varginha não será uma cidade; será uma NECRÓPOLE DE DIREITOS. O relatório do fim do mundo foi aberto. A única saída é a demolição moral completa desse feudo.

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