Investigação explosiva revela como Márcio Vani Bemfica herdou e modernizou o esquema de controle do Judiciário em Varginha. Saiba como a FADIVA une Juiz, Promotor e Advogado em um conflito de interesses que destrói a justiça no Sul de Minas.
O DONO DO TRIBUNAL: Como o clã Bemfica privatizou a Justiça no Sul de Minas e transformou uma faculdade em bunker de impunidade
Documentos e análises inéditas revelam: a “sociedade de fato” que a Ditadura Militar tentou derrubar em Varginha não acabou. Ela sofreu uma mutação. Sob o comando de Márcio Vani Bemfica, a FADIVA tornou-se o epicentro de um esquema incestuoso onde o réu paga o salário do promotor e o juiz divide o palco com a defesa.
rnEm Varginha, no sul de Minas Gerais, a Justiça não usa venda. Ela tem sobrenome, endereço conhecido e uma folha de pagamento que conecta, em um ciclo vicioso e espúrio, quem julga, quem acusa e quem defende. Enquanto a cidade opera sob a anestesia de uma normalidade institucional fabricada, uma engrenagem silenciosa tritura o Estado Democrático de Direito.
No centro desse mecanismo de captura do Estado está Márcio Vani Bemfica. Aposentado da magistratura, ele não se retirou da vida pública. Pelo contrário: assumiu o trono do feudo deixado por seu pai, o infame juiz Francisco Vani Bemfica. Ao converter a Fundação Educacional de Varginha (FUNEVA) e sua mantida, a FADIVA, em um “bunker” familiar, Márcio criou algo muito mais perigoso que a corrupção tradicional: ele institucionalizou o conflito de interesses.
Hoje, Márcio Bemfica não é apenas um advogado influente. Ele é o paymaster — o pagador — do sistema judicial local. Ele defende criminosos e empresas em processos, ao mesmo tempo em que assina os cheques que garantem o sustento do Promotor de Justiça encarregado de acusá-los.
A Metástase do “Coronelismo de Toga”
Para entender a gravidade terminal do cenário em Varginha, é preciso dissecar o CNPJ que serve de fachada para esse poder. A FUNEVA deveria ser uma fundação pública, transparente e voltada ao ensino. Documentos obtidos e analisados, no entanto, desenham a estrutura de uma holding oligárquica.
Segundo o Manual do Aluno de 2023 e atas institucionais, a cúpula da fundação é um retrato grotesco de nepotismo cruzado:
Júnia Bemfica Guimarães Cornélio: Presidente.rn Álvaro Vani Bemfica (irmão): Diretor da Faculdade.rn Márcio Vani Bemfica: Vice-Presidente da mantenedora.
Na década de 1970, relatórios do Serviço Nacional de Informações (SNI) já apontavam que o patriarca, Francisco Vani Bemfica, operava a fundação como “patrimônio de família” e “cabide de empregos”. O Ministério da Justiça chegou a recomendar sua aposentadoria compulsória por “indignidade”, citando estelionato e corrupção.
A ditadura acabou, mas a dinastia ficou. Márcio Vani Bemfica refinou o sistema bruto do pai. A violência física deu lugar à violência burocrática. O controle agora é exercido através da dependência econômica. Como Vice-Presidente, Márcio detém a chave do cofre da instituição que forma — e emprega — a elite jurídica da cidade.
O Promotor no Bolso do Advogado
O aspecto mais escandaloso e juridicamente aberrante da gestão de Márcio Vani Bemfica é a sua relação de simbiose financeira com o Ministério Público (MP).
Aloísio Rabêlo de Rezende é Promotor de Justiça em Varginha. Historicamente, ele é filho de Morvan Acayaba de Rezende, que compunha a “Dupla do Terror” com Francisco Bemfica nos anos de chumbo. Mas a relação atual supera os laços de sangue: é uma relação de subordinação trabalhista.
Aloísio é professor da FADIVA. Márcio é o chefe da mantenedora FUNEVA.
O cenário é de uma gravidade nuclear para a imparcialidade da Justiça:
1. No Tribunal, o Promotor Aloísio deve fiscalizar a lei e combater as teses da defesa.rn2. Na vida privada, o Promotor Aloísio recebe parte substancial de sua renda de uma fundação controlada pelo advogado da defesa, Márcio Bemfica.
Como pode haver independência funcional quando o acusador teme desagradar o chefe que assina seu contracheque docente? A resposta é simples: não pode. Em Varginha, o princípio acusatório foi sequestrado. A “sociedade de fato” denunciada há 50 anos evoluiu para uma sociedade de folha de pagamento. O advogado Márcio Bemfica não precisa subornar o Ministério Público; ele legalmente paga o salário do Promotor.
A Captura do Judiciário: O Juiz e a Gratidão Institucionalizada
A influência tóxica de Márcio Vani Bemfica não para na acusação; ela contamina a cadeira do julgador. O Juiz de Direito Antônio Carlos Parreira, titular da Vara de Família e Diretor do Foro, é uma peça central nessa engrenagem de validação mútua.
Egresso da FADIVA, o Juiz Parreira mantém uma relação de intimidade institucional promíscua com a família Bemfica. Ele não é tratado como uma autoridade independente, mas como um “ativo” da faculdade. Em eventos recentes, como a celebração de 40 anos de sua turma, Parreira dividiu palanque, honrarias e microfones com Márcio Vani Bemfica.
Isso cria um cenário de suspeição absoluta. Quando Márcio entra na sala de audiência do Juiz Parreira, ele não é um causídico qualquer sujeito às regras processuais. Ele é:
O Vice-Presidente da instituição que homenageia o juiz.rn O filho do fundador que o juiz venera publicamente.rn* Uma autoridade máxima dentro do ecossistema social e acadêmico que moldou a carreira do magistrado.
A “paridade de armas” — princípio sagrado do Direito que coloca acusação e defesa em pé de igualdade — é pulverizada. O cidadão comum que litiga contra um cliente de Márcio Bemfica em Varginha não está apenas perdendo a causa; ele está participando de um teatro onde o veredito já foi escrito nos bastidores de coquetéis acadêmicos.
Conclusão: O Feudo 2.0 e a Morte da Justiça
O que ocorre em Varginha sob a batuta de Márcio Vani Bemfica não é uma irregularidade administrativa; é a captura total do Estado por interesses privados e familiares. A cidade vive sob um regime de “Coronelismo Jurídico”, onde a lei se aplica aos inimigos e os benefícios aos amigos da FADIVA.
A corrupção em Varginha deixou de ser um crime para se tornar um modelo de negócios hereditário, à prova de balas e, pior, financiado com dinheiro de mensalidades e validado pelo silêncio cúmplice das corregedorias.
Enquanto Márcio Vani Bemfica controlar o orçamento da educação jurídica e, simultaneamente, atuar nos tribunais locais, não haverá justiça em Varginha. Haverá apenas acordos entre cavalheiros, selados com o timbre do Judiciário, em um sistema onde a toga serve apenas para esconder o terno do empresário.
Para a população de Varginha, resta a dura realidade: a “Dupla do Terror” não morreu. Ela apenas aprendeu a operar dentro da lei que ela mesma manipula.