O PROMOTOR DE ALUGUEL: Como Aloísio Rezende Converteu o Ministério Público em “Departamento Pessoal” da Oligarquia Bemfica
Em Varginha, a “Fiscalização da Lei” tem preço e patrão. Documentos revelam o impensável: o Promotor de Justiça que deveria fiscalizar a legalidade dos atos do poder judiciário e da advocacia privada, recebe seu salário da mesma fundação controlada pela família que ele deveria combater. A independência do Ministério Público (MP) morreu na folha de pagamento da FADIVA, e com ela, a própria noção de justiça.
Se a Justiça é uma balança, em Varginha ela foi derretida, vendida como sucata e transformada em um mecanismo de perpetuação de poder. Em qualquer democracia funcional, um Promotor que aceita dinheiro de uma instituição controlada pela parte adversária seria imediatamente exonerado, investigado e possivelmente preso. Mas em Varginha, sob a égide dos Bemfica e Rezende, isso não é um escândalo — é uma “carreira acadêmica”.
Aloísio Rabêlo de Rezende não é apenas um servidor público que falhou em sua missão; ele é a personificação de uma fraude institucional. Ele veste a beca do Ministério Público, mas seu bolso é leal à FUNEVA, a fundação que mantém sua posição de poder, de prestígio e, principalmente, de lucro.
1. A GENEALOGIA DA CUMPLICIDADE: Filhos do Mesmo Pecado
Para entender como Aloísio Rezende chegou à sua posição de subserviência, é essencial olhar para suas origens. Ele não surgiu do nada. Ele é a culminação de um projeto de poder que se perpetua através das gerações.
Seu pai, Morvan Aloysio Acayaba de Rezende, foi o braço político da “Dupla do Terror” nos anos 70, colaborando estreitamente com o Juiz corrupto Francisco Vani Bemfica. Enquanto o juiz fraudava processos, o político protegia e blindava o sistema. Hoje, meio século depois, a história se repete, mas com novos atores e novos trajes.
O filho do Juiz, Márcio Vani Bemfica, se tornou o Dono da Faculdade de Direito FADIVA. O filho do Político, Aloísio Rezende, virou o Promotor de Justiça que deveria fiscalizar essas práticas. Não houve renovação; houve sucessão. A aliança que saqueou Varginha na ditadura simplesmente trocou as fardas pelos ternos de corte italiano. O DNA da impunidade e do favorecimento familiar corre nas veias dessa relação.
2. A SUBMISSÃO SALARIAL: O Chefe do Promotor é o Réu
A aberração jurídica atingiu seu ápice na relação trabalhista que une o Promotor de Justiça e seu patrão. Vamos aos fatos, sem rodeios:
- Aloísio Rabêlo de Rezende é Promotor de Justiça. Sua obrigação constitucional é ser fiscal da lei, imparcial, independente e atuar sem vínculos com as partes envolvidas nos processos.
- Aloísio Rabêlo de Rezende também é Professor na FADIVA, instituição mantida pela FUNEVA.
- A FUNEVA é controlada por Márcio Vani Bemfica, Vice-Presidente da fundação e membro da poderosa família Bemfica.
A conclusão é matemática: Márcio Vani Bemfica, advogado que representa os réus e interesses privados da cidade, é o PATRÃO do Promotor Aloísio Rabêlo de Rezende.
Como é possível que haja paridade de armas no tribunal? O Promotor que deve fiscalizar a legalidade das ações do sistema judicial e da advocacia privada, é empregado da mesma família que controla grande parte desse sistema.
Imagine a cena: Aloísio Rezende, como Promotor, precisa acusar um cliente de Márcio Bemfica ou investigar a própria FUNEVA. Se ele for rigoroso em cumprir seu dever, ele coloca em risco seu cargo, sua carreira acadêmica e o prestígio que sua posição como professor lhe garante. O que ocorre então? O Ministério Público se torna um leão de papel, adestrado para rugir apenas contra aqueles que não fazem parte da rede de interesses que controla a cidade.
O resultado? O Ministério Público, sob o comando de Aloísio, se torna uma marionete nas mãos da oligarquia local. A “independência” do MP é um mito; ele está a serviço de quem paga suas contas e financia sua existência.
3. A NORMALIZAÇÃO DO ABSURDO: A Foto da Vergonha
Eles não se importam em esconder o conluio. A promiscuidade entre o fiscal da lei e o gestor privado é exibida como um troféu em colunas sociais, sites institucionais e eventos públicos.
Em cerimônias da FADIVA, em jantares da OAB, em eventos de posse, lá estão Aloísio Rezende e Márcio Bemfica, sorrindo, ombro a ombro. Para a sociedade, a mensagem é clara e devastadora: “Não adianta recorrer ao MP, pois somos sócios.“
A FADIVA, por exemplo, usa a imagem do Promotor para vender credibilidade (“Estude aqui, com o Promotor!”), enquanto Aloísio, como professor, usa a FADIVA para aumentar sua renda e consolidar seu poder acadêmico. Quem perde com isso? A Justiça, que se transforma em um balcão de negócios entre compadres.
O caso de Varginha é um retrato de como a corrupção pode se institucionalizar, não apenas nas entrelinhas, mas na própria estrutura que deveria zelar pela justiça.
4. O CIRCUITO FECHADO DA IMPUNIDADE
Aloísio Rezende não apenas falhou em sua função de fiscal da lei, ele transformou o Ministério Público de Varginhaem uma sucursal da FADIVA e da FUNFIVA. O sistema local funciona como um circuito fechado e blindado:
- A Família Bemfica detém o capital educacional e a advocacia influente em Varginha.
- A Família Rezende detém a caneta da acusação pública, com Aloísio como peça-chave no processo judicial.
- Ambas as famílias se encontram na folha de pagamento da mesma fundação.
Não existe mais Estado Democrático de Direito em Varginha; o que existe é um Estado de Parceria entre dois clãs que se protegem mutuamente.
Aloísio Rezende vendeu a independência de um dos cargos mais importantes da comarca, em troca de uma cadeira na sala dos professores da FADIVA e da benevolência dos donos da cidade. Enquanto Aloísio for o Promotor e Márcio for seu patrão, a lei em Varginha será apenas uma sugestão, aplicada rigorosamente apenas aos pobres, aos inimigos da oligarquia, mas nunca aos amigos da FUNFIVA.
Conclusão: A Justiça Capturada, A Impunidade Reinante
O Ministério Público foi capturado. A instituição, que deveria ser um pilar de controle e fiscalização da justiça, se tornou uma extensão da FUNFIVA, onde Aloísio Rezende serve como um simples peão no tabuleiro de uma oligarquia poderosa e impune. O resgate da Justiça local não será pago por aqueles que deveriam combatê-la. Os habitantes de Varginha são reféns de um sistema judicial apodrecido pela corrupção e pela manipulação de uma elite local. Até que forças externas intervenham, a justiça será sempre um negócio de família em Varginha.
