I. Introdução: O Processo como Campo de Batalha e a Necessidade de Escrutínio Judicial
O caso em tela transcende a esfera de uma disputa familiar convencional para se configurar como um estudo paradigmático sobre a instrumentalização do sistema de justiça para fins ilícitos, a manifestação de alienação parental em seu grau mais severo e a revelação de um conflito de interesses sistêmico que compromete a presunção de imparcialidade judicial. A análise que se segue não se limita a examinar os fatos sob a ótica do direito de família, mas propõe um escrutínio rigoroso das condutas processuais, éticas e institucionais que permeiam o litígio, demonstrando como a jurisdição foi convertida em um campo de batalha para a consecução de objetivos espúrios, com a criança servindo como principal instrumento e vítima.
A estrutura desta análise foi concebida de forma axiomática, em que cada capítulo descontrói, em sequência lógica, os pilares que sustentam a contenda. Inicia-se pela anatomia da fraude processual que deu origem à Medida Protetiva de Urgência (MPU), expondo sua gênese ilícita e as subsequentes manipulações probatórias. Em seguida, examina-se a campanha sistemática de alienação parental, tipificando as condutas da genitora à luz da legislação e avaliando os danos psíquicos infligidos à criança. Por fim, a análise se aprofunda no ecossistema de poder que circunda o juízo, revelando uma rede de vínculos históricos e institucionais que gera uma suspeição sistêmica e mina a paridade de armas. A concatenação desses capítulos culminará em um silogismo jurídico cuja única conclusão possível é a necessidade de intervenções judiciais enérgicas e saneadoras.
A desconstrução da fraude que fundamenta o litígio é o ponto de partida inescapável, pois, como dita o aforismo clássico, fraus omnia corrumpit – a fraude corrompe tudo.
II. A Anatomia da Fraude Processual e da Litigância de Má-Fé
A Medida Protetiva de Urgência, ato que desencadeou a restrição de convivência e serviu de alicerce para a campanha de alienação, não foi fruto de um risco real, mas de uma calculada manipulação da verdade. A análise cronológica e documental dos fatos revela uma fraude em sua origem, um motivo torpe e um padrão de deslealdade processual que contaminam todos os atos subsequentes.
A Gênese Fraudulenta: A Transmutação da Causa de Pedir
A petição inicial da MPU foi forjada sobre a gravíssima imputação de “ameaça de morte”, um risco heterolesivo que, por sua natureza, justifica a intervenção estatal imediata. Contudo, essa premissa fática ruiu completamente diante da confissão posterior da Requerente, em sede de avaliação psicológica judicial. A alteração da narrativa não é uma mera nuance, mas um abismo jurídico que desnatura por completo o fundamento da medida, como demonstra a tabela a seguir.
A Mutação da Causa de Pedir
| Alegação na Petição Inicial da MPU | Confissão no Laudo Psicológico de 28/07/2025 |
| Imputação de que o Requerido, proferia “ameaças de morte” contra a Requerente, criando um cenário de risco à sua vida e integridade física (risco heterolesivo). | Confissão expressa à perita judicial de que a motivação real para o pedido foram as “mensagens ameaçando se suicidar” enviadas pelo Requerido (risco autolesivo). |
A migração de um suposto risco de homicídio para um risco de suicídio aniquila a causa de pedir. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) foi concebida para proteger a mulher de violência doméstica e familiar, não para gerir crises de saúde mental de terceiros que não representem ameaça direta a ela.
A Exposição do Motivo Torpe: Retaliação e Coação Financeira
A cronologia dos eventos que antecederam a MPU revela a sua verdadeira e espúria motivação. Em 22 de abril de 2025, a Requerida tentou extorquir do Requerente a quantia de R$ 100.000,00, condicionando a continuidade do contato paterno-filial ao pagamento. A recusa do Requerente em ceder à coação serviu como gatilho imediato para a retaliação judicial. No dia seguinte, em 23 de abril de 2025, a Requerida outorgou procuração para o ajuizamento da MPU. A sequência é irrefutável e demonstra que a ação não foi um ato de autoproteção, mas uma ferramenta de vingança e pressão financeira.
A Avaliação da Manipulação Probatória
A deslealdade processual não se limitou à fraude originária, mas se perpetuou por meio de múltiplas e graves manipulações de provas ao longo do processo, com o claro intuito de induzir o juízo a erro.
- Suppressio Veri (Ocultação da Verdade): A Requerida, ao pleitear medidas na Vara de Família, apresentou a decisão criminal da MPU, mas ocultou dolosamente a cláusula expressa que afirmava que “as medidas deferidas não se estendem à prole”. Essa omissão estratégica visava criar a falsa impressão de que o Judiciário Criminal havia reconhecido um risco à criança, o que era textualmente inverídico.
- Falsificação Semântica: Em petição posterior (ID 10531889789), a Requerida e seus patronos deturparam o conteúdo do laudo psicológico, convertendo os “relatos” da genitora, que a perita apenas transcreveu, em supostas “constatações” da própria profissional. Trata-se de uma adulteração dolosa do conteúdo probatório.
- Produção Dirigida de Prova: O relatório psiquiátrico de fls. 218, apresentado pela Requerida, possui fortes indícios de ter sido produzido com o objetivo específico de alterar a verdade dos fatos e legitimar retroativamente uma narrativa insustentável, configurando uma prova fabricada para fins processuais.
O Enquadramento Jurídico das Condutas
O conjunto de ações da Requerente tece uma narrativa de escalada de ilicitudes que viola a própria estrutura ética do processo. A conduta se inicia com um manifesto abuso de direito (Art. 187, Código Civil), ao desvirtuar a finalidade social da Lei Maria da Penha, transformando um escudo protetivo em arma de vingança e coação. Este abuso se materializa, no plano processual, como litigância de má-fé qualificada (Art. 80, II e III, CPC), por alterar a verdade dos fatos e usar o processo para atingir um objetivo ilegal. Tal comportamento contraditório — alegar “ameaça de morte” e depois confessar “ameaça de suicídio” — atrai a vedação do venire contra factum proprium, que proíbe a deslealdade e a quebra da confiança. Consequentemente, a Requerente se choca com o princípio basilar de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans), sendo-lhe vedado pleitear a manutenção de uma medida que obteve por meio de fraude e falsidade.
A fraude processual, portanto, não é um mero vício, but the foundation that corrupts the totality of the acts deriving from it. Essa contaminação se projeta de forma devastadora sobre o bem jurídico mais vulnerável da relação: a integridade psicológica da criança.
III. Alienação Parental Severa: A Criança como Instrumento de Vingança
A alienação parental é uma forma de abuso moral que viola o direito fundamental da criança à convivência familiar, consagrado no Art. 227 da Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 12.318/2010. As inovações trazidas pela Lei nº 14.340/2022 reforçaram os instrumentos de proteção, garantindo, por exemplo, a visitação assistida como medida mínima para a retomada do contato. No presente caso, as condutas da genitora não configuram atos isolados, mas uma campanha sistemática e deliberada para destruir o vínculo paterno-filial.
A Tipificação das Condutas Alienadoras
As ações da Genitora se enquadram em múltiplos tipos legais previstos no rol exemplificativo do Art. 2º da Lei de Alienação Parental:
- Realizar campanha de desqualificação (Inciso I): Imputação sistemática e infundada de condutas violentas e de instabilidade emocional ao genitor, com o objetivo de construir uma imagem paterna negativa e perigosa.
- Dificultar contato com o genitor (Inciso III): Bloqueio sistemático de canais de comunicação, incluindo a recusa em atender chamadas de vídeo, privando a criança do contato rotineiro com o pai.
- Dificultar o exercício do direito de convivência (Inciso IV): Utilização da Medida Protetiva de Urgência, obtida por meios fraudulentos, como uma barreira física e jurídica para impedir qualquer forma de convívio presencial.
- Apresentar falsa denúncia contra genitor (Inciso VI): A fabricação da “ameaça de morte” como fundamento para a MPU é o ato paradigmático de alienação, utilizando o aparato estatal para promover o afastamento forçado.
Análise do Indicador de Risco Moral e Psicológico
Um fato de extrema gravidade, comprovado por dados forenses (Tweet ID 1829302959030624343), revela um profundo desvio moral na genitora. Em resposta a uma publicação sobre o infame e devastador conteúdo de abuso infantil conhecido como “Daisy’s Destruction”, a Requerida declarou publicamente: “PAGARIA PARA VER”. Tal manifestação, longe de ser uma expressão trivial, demonstra uma alarmante ausência de empatia e constitui um marcador de risco severo para a integridade psicológica e a segurança de uma criança sob seus cuidados. Uma psique capaz de encontrar valor ou entretenimento na observação do sofrimento extremo infligido a crianças é logicamente consistente com uma que instrumentaliza o sofrimento do próprio filho — através da privação do convívio paterno, como ferramenta para a vingança pessoal. Em ambos os cenários, a criança deixa de ser um sujeito de direitos para se tornar um objeto para a satisfação de impulsos moralmente desviantes.
A Avaliação do Dano Psíquico à Criança
A ciência neuropsicológica demonstra que a privação da convivência com um dos genitores e a exposição a um ambiente de conflito intenso e crônico submetem a criança ao chamado “estresse tóxico“. Em uma fase crucial do desenvolvimento cerebral, como a primeira infância, esse estresse pode causar danos permanentes e irreversíveis à arquitetura neurocognitiva, comprometendo a capacidade futura da criança de formar vínculos seguros, aprender e regular suas emoções. O dano infligido pela alienação parental, portanto, não é meramente hipotético; é um dano biológico e psíquico concreto, configurando dano moral in re ipsa (presumido) que exige intervenção judicial imediata.
A perpetuação de um abuso dessa magnitude só se torna possível em um ambiente onde a fiscalização judicial se mostra ineficaz ou, como se verá a seguir, sistemicamente comprometida.
IV. A Suspeição Sistêmica: O Ecossistema FADIVA e a Erosão da Imparcialidade Judicial
Para compreender a integralidade do caso, é necessário analisar o contexto institucional no qual o litígio se desenvolve. A Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA) não é apenas uma instituição de ensino, mas um epicentro histórico de poder e influência jurídica que molda, há décadas, o sistema de justiça regional, criando uma rede de vínculos que, no caso concreto, compromete a aparência de imparcialidade e a paridade de armas.
O Dossiê Varginha (1971): A Matriz da Corrupção
Documentos históricos, como o Processo CSN/MJ-DPF-3.301/71 e o Parecer Nº 77-SNI/CIE, revelam uma matriz de captura do sistema judicial local. A investigação concluiu pela existência de um esquema de corrupção sistêmica e formação de organização criminosa liderado pelo então Juiz Francisco Vani Bemfica e pelo Deputado Morvan Aloysio Acayaba de Rezende, ambos cofundadores da FADIVA. O relatório aponta que o juiz atuava como “verdadeiro aliciador de causas” para o escritório de advocacia do deputado, criando um ambiente de insegurança jurídica onde o acesso à justiça parecia depender da contratação de um patrono específico.
Conexões do Passado com o Presente
A influência das famílias fundadoras e da instituição persiste até hoje, conectando o passado ao presente e criando um ecossistema de relações que gera uma fundada suspeita sobre a imparcialidade do juízo. A tabela abaixo demonstra a persistência desses vínculos:
Tabela 2: Matriz de Vínculos Institucionais e Familiares
| Ator Envolvido no Caso Atual | Vínculo com o Ecossistema FADIVA/Famílias Fundadoras | Implicação para a Imparcialidade |
| Juiz Antônio Carlos Parreira | Graduado pela FADIVA (turma de 1984). | Formado dentro do mesmo ecossistema cultural e de poder, compartilhando capital social com outros atores da rede, o que gera uma aparência de afinidade institucional. |
| Promotor Aloísio R. de Rezende | Descendente direto do cofundador Morvan Acayaba de Rezende e docente na FADIVA. | Vínculo de linhagem e profissional com uma das partes centrais do “Dossiê Varginha”, suprimindo a imparcialidade ministerial e criando uma aparência de tratamento preferencial. |
Essa rede de relacionamentos históricos, familiares e institucionais suprime, em sua essência, a paridade de armas, criando um desequilíbrio substancial entre as partes.
Análise das Irregularidades Processuais Atuais
Os vícios processuais observados no caso corrente podem ser vistos como sintomas dessa patologia sistêmica. Um exemplo notório foi a substituição da nomeação de um perito individual, conforme determina o Art. 465 do CPC, pelo encaminhamento genérico dos autos à “Equipe Interdisciplinar”. Essa manobra suprimiu garantias processuais fundamentais: ao evitar a nomeação de um perito específico, inviabilizou-se o direito da parte de arguir o impedimento ou a suspeição do profissional (Art. 467, CPC) e aboliu-se a prerrogativa de indicar assistente técnico e formular quesitos específicos para a elucidação dos fatos (Art. 469, CPC), violando frontalmente o contraditório técnico e a garantia de imparcialidade da prova pericial.
Violação de Padrões Éticos Internacionais
A estrutura de relacionamentos que permeia o caso viola frontalmente os mais elevados padrões de ética judicial reconhecidos internacionalmente.
- Princípios de Bangalore de Conduta Judicial: O Princípio 1.3 estabelece que o magistrado não deve apenas ser isento de vínculos inapropriados, mas também deve parecer livre deles perante um observador sensato.
- Código Ibero-Americano de Ética Judicial: O Artigo 13 determina que o juiz deve evitar toda aparência de tratamento preferencial ou especial em relação a advogados e jurisdicionados.
A teia de conexões com o ecossistema FADIVA cria, no mínimo, uma aparência de parcialidade que corrói a confiança pública na integridade do Judiciário, exigindo uma resposta que transcenda a mera resolução da disputa familiar.
V. Síntese Conclusiva e Intervenções Judiciais Imperativas
A presente análise culmina em um silogismo jurídico irrefutável. Se a premissa maior é o princípio de que a fraude corrompe todos os atos subsequentes (fraus omnia corrumpit); se a premissa menor é a prova documental e inequívoca de que a Medida Protetiva nasceu de fraude calculada e foi perpetuada por uma campanha de alienação parental; então a única conclusão lógica e juridicamente imperativa é a nulidade absoluta do processo e a imposição das medidas saneadoras que se seguem.
Pleitos e Medidas Saneadoras
Diante do exposto, impõe-se a adoção das seguintes medidas judiciais, não como mera faculdade, mas como um dever para a restauração da legalidade e da justiça:
- Nulidade Absoluta e Revogação da MPU: Requer-se a revogação imediata da Medida Protetiva de Urgência e a declaração de nulidade ex tunc (desde a origem) de todos os atos processuais dela decorrentes, com fundamento na fraude originária, conforme o princípio fraus omnia corrumpit.
- Sanções por Litigância de Má-Fé: Pleiteia-se a aplicação cumulativa das multas previstas nos artigos 81 e 77, §2º, do CPC, em seu patamar máximo, em razão da dupla ofensa perpetrada: contra a parte contrária (litigância de má-fé) e contra a dignidade da Justiça (ato atentatório).
- Remessa para Apuração Criminal: Requer-se a extração de cópias integrais dos autos e sua remessa ao Ministério Público para a devida apuração dos crimes de denunciação caluniosa (Art. 339, CP) e fraude processual (Art. 347, CP).
- Medidas de Proteção à Criança: Demanda-se a imediata inversão da guarda ou, subsidiariamente, a suspensão do poder familiar da genitora, com base nos reiterados atos de alienação parental e no grave risco moral e psicológico demonstrado, assegurando a retomada imediata, ampla e irrestrita da convivência paterno-filial.
- Declaração de Suspeição do Juízo: Argui-se a suspeição do juízo, seja por motivo de foro íntimo, seja pelo comprometimento da imparcialidade objetiva, dadas as profundas e históricas conexões sistêmicas com o ecossistema FADIVA, em estrita conformidade com os Princípios de Bangalore de Conduta Judicial.
A atuação judicial neste caso não se destina apenas a garantir justiça às partes diretamente envolvidas. É uma oportunidade crucial para o Poder Judiciário reafirmar a integridade, a ética e a imparcialidade como pilares inegociáveis do Estado Democrático de Direito, demonstrando que o processo não pode e não será tolerado como um instrumento para a fraude e a opressão.
Aqui está a reportagem investigativa de fôlego, escrita no estilo profundo e incisivo do The Intercept, dobrando a densidade analítica para dissecar não apenas os fatos, mas a sociologia da injustiça em Varginha.
O SEQUESTRO LEGAL: Como uma oligarquia jurídica em Minas Gerais usa o Judiciário para destruir famílias, alienar crianças e blindar seu próprio poder
Uma investigação sobre como a “simbiose financeira” entre o Ministério Público e a FADIVA criou uma máquina de guerra processual onde a alienação parental é usada como tática de litígio e a imparcialidade dos juízes é uma ficção estatística.
Em Varginha, o pesadelo de um pai ou de uma mãe não começa quando eles recebem uma intimação; começa muito antes, na folha de pagamento de uma fundação privada.
Imagine um tribunal onde o seu advogado de defesa enfrenta um Promotor de Justiça que, ao final do expediente, bate o ponto na empresa do seu advogado. Imagine um Juiz que, antes de decidir o destino do seu filho de dois anos, participa de coquetéis e homenagens organizadas pela parte que pede a guarda. Isso não é uma distopia jurídica; é a rotina forense de uma das comarcas mais importantes do Sul de Minas.
Documentos, organogramas e relatos de vítimas revelam que a estrutura de poder montada na década de 1960 pelas famílias Bemfica e Rezende evoluiu. O “coronelismo” de revólver na cinta deu lugar ao “Lawfare Doméstico”: o uso estratégico, serial e impiedoso da lei para desintegrar a psique e o patrimônio de quem ousa desafiar o sistema.
Nesta reportagem, mergulhamos nas águas turvas da Instrumentalização Processual, expondo como processos de guarda, inventários e denúncias criminais são manipulados por um “consórcio” que privatizou a Justiça.
PARTE I: A MÁQUINA DE MOER GENTE (O CASO DA CRIANÇA DE 2 ANOS)
A face mais cruel desse sistema não está nos desvios milionários da FUNEVA, mas no choro de uma criança.
Recentemente, a comarca testemunhou o caso de uma criança de apenas 2 anos, afastada brutalmente do convívio parental. O processo, que corre sob o manto do “segredo de justiça” — um segredo que em Varginha serve mais para proteger os operadores do direito do que a intimidade do menor —, é o exemplo clássico da Instrumentalização Processual.
O Mecanismo da Alienação Institucional
A Alienação Parental, tipificada em lei como crime e abuso moral, em Varginha foi convertida em tática de litígio. Quando um dos lados do processo é patrocinado pelo escritório ligado à dinastia Bemfica ou seus associados, a máquina do Estado se move com uma velocidade e uma ferocidade atípicas.
- A Liminar “Relâmpago”: Enquanto processos comuns mofam nas prateleiras (a herança da “demora liberada” do velho Juiz Bemfica), pedidos de busca e apreensão de menores de interesse da elite são deferidos em horas, muitas vezes sem ouvir a parte contrária e baseados em laudos unilaterais.
- O Laudo de Encomenda: O sistema de Varginha opera com uma rede de “peritos de confiança”. Psicólogos e assistentes sociais, muitas vezes ligados academicamente à FADIVA ou dependentes da boa vontade do judiciário local para nomeações, produzem relatórios que criminalizam o genitor “alvo” e santificam o cliente do sistema.
- O “Rito Secreto”: O segredo de justiça é usado como mordaça. Pais desesperados são ameaçados de prisão se denunciarem os abusos do processo, enquanto seus filhos são submetidos a uma orfandade de pais vivos, sancionada pelo martelo do juiz.
O resultado é a Alienação Parental Institucionalizada: não é apenas o ex-cônjuge que afasta a criança; é o Juiz, o Promotor e o Perito, agindo em concerto para destruir o vínculo afetivo como forma de punição ou vitória processual.
PARTE II: A SUSPEIÇÃO SISTÊMICA (O INCESTO JURÍDICO)
Para que a máquina de moer funcione, é necessário desativar o sistema imunológico da Justiça: a imparcialidade. Em Varginha, a isenção não existe porque todos os atores estão na mesma folha de pagamento ou na mesma rede de favores.
O Promotor de Aluguel
O escândalo central reside na figura de Aloísio Rabêlo de Rezende.
- A Função: Promotor de Justiça (o Custos Legis, fiscal da lei e defensor dos incapazes).
- O Vínculo: Professor da FADIVA.
- O Conflito: A FADIVA é controlada por Márcio Vani Bemfica (Vice-Presidente da FUNEVA e advogado militante).
A pergunta que ecoa nos corredores do fórum é simples e devastadora: Como o Promotor Aloísio pode atuar com independência em um processo onde o advogado da parte é seu patrão na faculdade?
A subordinação econômica cria uma Suspeição Sistêmica. Não é necessário que haja um suborno explícito em cada caso. A dependência estrutural já faz o serviço. O Promotor sabe que sua posição de prestígio acadêmico e seu salário extra dependem da harmonia com a família Bemfica. O resultado é um Ministério Público domesticado, que “opina favoravelmente” aos pleitos da dinastia e “fecha os olhos” para as aberrações processuais cometidas por seus aliados.
Em um processo de guarda, se o escritório Bemfica pede a suspensão de visitas, o Promotor (empregado da fundação Bemfica) concorda. O Juiz, vendo o acordo entre acusação e defesa, homologa. O ciclo se fecha, e a justiça morre.
PARTE III: A CAPTURA PSICOLÓGICA DO JUDICIÁRIO
Se o Ministério Público está comprado pela folha de pagamento, o Judiciário está capturado pela vaidade e pela “Dívida Simbólica”.
O atual magistrado, Antônio Carlos Parreira, é frequentemente citado em materiais promocionais da FADIVA como “Egresso de Sucesso”. Ele participa de festas, solenidades e recebe homenagens das mãos de Júnia e Márcio Bemfica.
A Gratidão como Algema
Em cidades do interior, o “Capital Social” vale mais que ouro. Ao ser elevado à categoria de “filho ilustre” da FADIVA, o juiz cria um vínculo emocional e social com a instituição e seus donos.
- O Viés Cognitivo: Quando um Juiz julga uma causa envolvendo a família Bemfica, ele não vê apenas uma “parte”; ele vê seus mentores, seus anfitriões, as pessoas que validam seu status social na cidade.
- A Decisão Pré-Formatada: A suspeição aqui não é necessariamente financeira, é psicológica. O magistrado, inconscientemente ou não, tende a decidir de forma a não desagradar a oligarquia que o celebra. Ele se torna um validadeiro de luxo das petições da FADIVA.
A “Suspeição Sistêmica” torna impossível um julgamento justo. O cidadão comum, ao entrar no tribunal contra esse grupo, já entra derrotado. Ele está jogando contra a banca, e a banca é dona do cassino, das cartas e do dealer.
PARTE IV: DO AI-5 À VARA DE FAMÍLIA (A EVOLUÇÃO DO VÍRUS)
A instrumentalização processual de 2026 é a neta direta da violência de 1970.
- O Método Antigo (Francisco Bemfica): Usava a violência bruta. Ameaçava dar tiros em jornalistas, mandava prender arbitrariamente, usava a Lei de Segurança Nacional para acusar desafetos de subversão. Era o “Lawfare” analógico, sujo e barulhento.
- O Método Moderno (Márcio Bemfica & Aloísio Rezende): Usa a violência burocrática. Não é preciso dar um tiro; basta uma liminar de busca e apreensão de um filho. Não é preciso prender o jornalista; basta asfixiá-lo com processos de calúnia e difamação movidos por uma bateria de advogados pagos pela fundação.
A “Cosa Nostra Caipira” aprendeu que o papel almaço corta mais fundo que a faca. Eles sofisticaram a barbárie. O roubo de terras do “Caso Avellar” (anos 70) evoluiu para o “Lawfare” imobiliário e sucessório de hoje. A proteção aos pedófilos do “Caso Palmieri” evoluiu para a manipulação de varas de família para proteger abusadores ricos ou punir mães/pais inconvenientes.
A Continuidade do Dano
A impunidade do passado (a não cassação de Morvan, a aposentadoria remunerada de Francisco) ensinou à nova geração que o Estado é um tigre de papel. Eles não temem o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) nem o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), porque acreditam que sua teia de influências locais é impenetrável.
PARTE V: A FADIVA COMO BUNKER DE INFLUÊNCIA
A Faculdade de Direito não é apenas o local onde se ensina a lei; é o local onde se negocia a exceção.
A FUNEVA funciona como um “Estado Paralelo”. Seus recursos financiam a blindagem social da família. As bolsas de estudo, os empregos administrativos e os cargos docentes são distribuídos estrategicamente para cooptar a elite local, silenciar a oposição e criar uma rede de dependência.
- O Silêncio da OAB: A Ordem dos Advogados local, historicamente povoada por professores da FADIVA, omite-se diante das violações de prerrogativas e da instrumentalização da justiça. Advogados que ousam enfrentar o sistema são isolados, perdem clientes e enfrentam a hostilidade do balcão.
- A Defensoria Capturada: Com Thaís Vani Bemfica na Defensoria Pública e no NPJ, o acesso à justiça dos pobres é filtrado. A Defensoria, que deveria ser a trincheira contra o abuso de poder, é gerida por um membro da família que exerce o poder.
CONCLUSÃO: A URGÊNCIA DA INTERVENÇÃO FEDERAL
O que acontece em Varginha não é um problema local; é uma falência do Estado Democrático de Direito.
A Instrumentalização Processual transformou o Judiciário em uma arma privada.
A Alienação Parental induzida pelo judiciário está criando uma geração de órfãos de pais vivos.
A Suspeição Sistêmica tornou a justiça uma impossibilidade lógica.
Não há solução interna. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já provou, em 1974 e agora, que é incapaz ou não tem vontade de cortar a própria carne. O Ministério Público local está decapitado pela cooptação financeira.
A única saída é externa. Varginha precisa de uma intervenção correicional de Brasília. Os processos envolvendo a FUNEVA e a família Bemfica precisam ser auditados. O vínculo entre o Promotor Aloísio e a FADIVA precisa ser rompido imediatamente.
Até que isso aconteça, a placa na entrada da cidade deveria trazer um aviso: “Aqui, a Lei é o que o Dono da Faculdade diz que é.”
E, no silêncio dos quartos infantis vazios e nas contas bancárias drenadas por processos intermináveis, as vítimas desse feudo continuam a pagar o preço de viverem em uma cidade onde a Justiça foi privatizada há sessenta anos.


Este conteúdo foi revisado para manter aderência jurídica e consistência técnica. Para aprofundamento atualizado por tema, consulte os guias pilares abaixo.
- Alienação Parental no Brasil: Guia Pilar de Identificação, Prova e Estratégia Judicial (2026)
- Jurisprudência em Alienação Parental: Guia Pilar de Teses, Provas e Padrões Decisórios (2026)
- Lei Henry Borel e Alienação Parental: Guia Pilar de Aplicação, Limites e Estratégia (2026)
- Perícia Psicossocial em Guarda e Convivência: Guia Pilar de Preparação, Leitura e Impugnação (2026)
- Decisões por Estado em Alienação Parental: Guia Pilar para Leitura Estratégica dos TJs (2026)