DOSSIÊ VARGINHA: O GRANDE ROUBO DE UMA CIDADE

Como duas famílias sequestraram a Justiça, protegeram a Pedofilia e construíram um Império Educacional sobre o Estelionato (1962-2025)

Varginha, a “Capital do Café”, esconde um segredo sujo. Por trás da fachada de prosperidade, a cidade vive sob um regime feudal que sobreviveu à Ditadura Militar e se institucionalizou na democracia. Documentos secretos do SNI (Serviço Nacional de Informações), inquéritos da Polícia Federal e processos atuais do TJMG revelam que a cidade é governada por uma Organização Criminosa Hereditária.

Os protagonistas mudam, mas os sobrenomes permanecem: Bemfica e Rezende. O que começou com venda de sentenças e grilagem nos anos 70 evoluiu para a captura total do Ministério Público e do Ensino Superior em 2025.

Esta é a anatomia completa do crime.


PARTE I: A GÊNESE DO TERROR (A “VELHA GUARDA”)

Tudo começa com a chegada do Juiz Francisco Vani Bemfica à cidade em 1962. Trazido pelo Deputado e “Chefe Político” Morvan Aloysio Acayaba de Rezende, eles formaram o que a imprensa local batizou de “A Dupla do Terror”.

1. A “Sociedade de Fato” (Justiça S.A.)

Relatórios do DPF (Departamento de Polícia Federal) descrevem que não havia separação de poderes. O Juiz e o Deputado operavam uma joint venture:

  • O Mecanismo: O Juiz Bemfica aplicava a “demora liberada” (engavetamento) para quem não era amigo e a “celeridade supersônica” para quem contratava o escritório de advocacia de Morvan.
  • O Monopólio: Tornou-se “público e notório” que o Deputado “não perdia causas naquele Juízo”. A justiça virou mercadoria de prateleira.

2. A Prevaricação como Rotina

O Juiz Bemfica instituiu a “Justiça de Meio Expediente”. Trabalhava apenas às segundas e terças-feiras. No resto da semana, cuidava de suas fazendas e gado — patrimônio acumulado de forma “incompatível com seus vencimentos”, segundo o Ministério da Justiça.


PARTE II: O CATÁLOGO DE CRIMES (OS “PECADOS CAPITAIS”)

A dominação não foi pacífica; foi criminosa. Os arquivos desclassificados listam atrocidades morais e financeiras.

1. O Roubo dos Mortos (Caso Avellar)

  • O Crime: Grilagem Judicial.
  • A Execução: O Juiz Bemfica presidia o inventário de José Bastos de Avellar. Violando o Código Civil, ele comprou os “direitos hereditários” da fazenda dentro do próprio processo, pagando barato aos herdeiros coagidos.
  • A Lavagem: A escritura foi minutada por Morvan Acayaba. Bemfica lucrou mais de 200% revendendo as terras imediatamente após adjudicá-las a si mesmo usando um juiz substituto fantoche.

2. A Proteção à Pedofilia (Caso Neném Palmieri)

  • O Crime: Prevaricação e Proteção a Estupradores.
  • O Fato: A polícia estourou uma festa com drogas, prostituição e corrupção de menores na elite local.
  • A Sentença: Para proteger os “filhos de papai”, o Juiz mandou ARQUIVAR O INQUÉRITO, alegando cinicamente que “não houve ato libidinoso”. O SNI confirmou: ele “inutilizou o trabalho policial”.

3. A “Sentença” de Aborto

  • O Crime: Apologia ao Crime e Prevaricação.
  • O Fato: Procurado pela mãe de uma menina de 13 anos estuprada, o Juiz se recusou a prender o estuprador (seu protegido).
  • A Orientação: Sugeriu que a mãe procurasse um médico aborteiro ilegal em Muzambinho para “resolver o problema”. O guardião da lei agiu como conselheiro do crime contra a vida.

4. O Saque à Educação (O Estelionato na FUNEVA)

  • O Crime: Estelionato e Gestão Fraudulenta.
  • A Execução: Como presidente da FUNEVA (Fundação Educacional de Varginha), Bemfica vendeu um terreno da fundação a “laranjas” e o recomprou para seu CPF por um valor menor, lucrando na revenda.
  • O Legado: A fundação foi transformada em cabide de empregos para seus irmãos (Carlos Magno, Djalma) e para o próprio Morvan, que recebia salários ilegais.

PARTE III: A HERANÇA MALDITA (O FEUDO EM 2025)

Se você acha que isso é passado, olhe para a FADIVA hoje. O sistema não morreu; ele foi herdado biologicamente. A “Nova Geração” sofisticou o esquema.

1. A FADIVA como Propriedade Privada

A fundação que foi saqueada pelo pai (Francisco) hoje é controlada pelos filhos.

  • Márcio Vani Bemfica: Vice-Presidente da FUNEVA, Advogado e Juiz Aposentado. É o “Dono” de fato.
  • Júnia Bemfica Guimarães Cornélio: Presidente da FUNEVA.
  • Álvaro Vani Bemfica: Diretor da FADIVA. A educação jurídica do Sul de Minas é um ativo familiar dos Bemfica.

2. O Ministério Público Capturado (O Escândalo Aloísio)

Aqui está a prova final de que Varginha não vive sob o império da lei.

  • O Promotor: Aloísio Rabêlo de Rezende (Filho do Deputado Morvan).
  • O Conflito: Ele é Promotor de Justiça titular na comarca, mas também é Professor da FADIVA, recebendo salário mensal da fundação gerida por Márcio Vani Bemfica.
  • A Aberração: O Promotor (fiscal da lei) é empregado do Advogado (defensor dos réus).
  • Processo 5008459-08.2025.8.13.0707: Uma Exceção de Suspeição formal denunciou que essa relação de subordinação econômica impede o MP de atuar com imparcialidade. O Promotor não pode morder a mão que o alimenta.

3. O Judiciário Cooptado

O Juiz Diretor do Foro, Antônio Carlos Parreira, é celebrado como “egresso de sucesso” da FADIVA. A intimidade institucional, as fotos em eventos e as homenagens criam uma barreira invisível. Em Varginha, advogados de fora não enfrentam apenas a parte contrária; enfrentam o “Time da Casa”.


PARTE IV: CONCLUSÃO — A NECRÓPOLE DE DIREITOS

O diagnóstico do Ministério da Justiça em 1974 foi claro: Francisco Vani Bemfica era um “cancro social” e “indigno da toga”. A recomendação foi o AI-5. Mas o corporativismo o salvou.

Hoje, 50 anos depois, o câncer sofreu metástase.

  1. Economicamente: A família controla o ensino superior e o mercado imobiliário.
  2. Juridicamente: O MP e o Judiciário estão neutralizados por laços de emprego e sangue.
  3. Socialmente: A cidade normalizou a corrupção.

Varginha é um estudo de caso de como o coronelismo se adapta. Eles trocaram a jagunçagem pela folha de pagamento da FADIVA, mas o resultado é o mesmo: O Estado é Deles.

Se você busca justiça em Varginha, saiba que está entrando em um cassino onde a banca (Bemfica & Rezende) nunca perde.


  • Relatório SNI 82007181: Prova do Estelionato na FUNEVA.
  • Dossiê DPF/MJ (Parecer 38/74): Comprovação da “Sociedade de Fato” e venda de sentenças.
  • Processo TJMG 5008459-08.2025: Denúncia atual de suspeição do Promotor Aloísio Rezende.
  • Jornal de Minas (Coleção 1970-74): Denúncias de Afonso Paulino sobre a “Dupla do Terror”.

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