A “DUPLA DO TERROR”: Como um juiz e um deputado instauraram

A DUPLA QUE SEQUESTROU VARGINHA: Os arquivos secretos que expõem como um juiz e um deputado transformaram a lei em arma de vingança sexual, saque patrimonial e dominação política no sul de Minas

Era uma vez uma cidade do interior mineiro onde a justiça tinha dois pesos, duas medidas e um único dono. Onde a toga servia para esconder assédio, a faculdade virava cabide de empregos da família e o parlamento estadual funcionava como extensão do balcão de negócios. Essa cidade existiu. Chamava-se Varginha. E o que os arquivos da inteligência militar recém-abertos revelam é muito pior do que a memória local guardou por quase cinco décadas.

Não foi um desvio de conduta isolado. Não foram “alguns erros administrativos” de um juiz exaltado ou de um deputado ambicioso. O que os documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) e inquéritos da época escancaram é a arquitetura deliberada de um sistema de dominação. Uma máquina de coerção meticulosamente construída para capturar o Judiciário, loteando o ensino superior e convertendo a lei — essa abstração que deveria proteger os fracos dos fortes — em instrumento de vingança sexual, extermínio de adversários e acúmulo privado de riqueza.

Nas entrelinhas burocráticas dos relatórios confidenciais, batizado nos corredores do poder como a “Dupla do Terror”, o juiz Francisco Vani Bemfica e o deputado estadual Morvan Aloysio Acayaba de Rezende não apenas corromperam as instituições: eles as sequestraram, as domesticaram e as puseram a serviço de seus próprios umbigos. O Direito deixou de ser o império da lei para se transformar em uma ferramenta de saque, vingança e perpetuação dinástica no poder.

A análise forense desses arquivos — agora abertos à consulta pública graças a uma determinação do Arquivo Nacional — permite dissecar essa praga institucional em três vetores de destruição que assolaram o sul de Minas Gerais durante os anos de chumbo da ditadura militar, mas cujas metástases, como veremos, sobreviveram ao regime e se reproduziram por décadas.


VETOR I — A CAPTURA DO JUDICIÁRIO: Quando a toga virou escudo do crime

A comarca de Varginha, nos anos 1970, não tinha um juiz. Tinha um senhor feudal de toga. Francisco Vani Bemfica jamais vestiu a beca como símbolo de imparcialidade; para ele, aquilo era fantasia — uma “capa e espada” para legitimar o crime organizado sob o selo do tribunal. O Fórum da cidade foi convertido em balcão de negócios onde o teor da sentença dependia menos da lei do que do nome do advogado que assinava a petição.

1. O juiz agenciador de causas

A investigação do SNI é cirúrgica ao apontar a existência de uma “sociedade de fato” não declarada entre o magistrado e o escritório de advocacia de Morvan Rezende. Na prática, Bemfica atuava como um verdadeiro aliciador de causas de luxo para o sócio. Aos clientes potenciais que batiam à porta do fórum, a mensagem era transmitida nas entrelinhas dos despachos e nas conversas de corredor: contratar o escritório de Acayaba não era uma opção entre muitas — era a única garantia de que “não se perderia as causas naquele Juízo”. O mercado forense local estava capturado.

2. O terror processual como método de governo

Para os teimosos que insistiam em não se submeter à facção política de Rezende — advogados independentes, pequenos comerciantes, cidadãos comuns sem padrinho — a Justiça se transformava em armadilha. Os relatórios da inteligência militar chamam a atenção para o que denominam “risco de perda da questão” ou a “demora liberada”: processos eram deliberadamente engavetados por anos ou subitamente acelerados até o desfecho, conforme a conveniência política do momento. Criou-se um ambiente de insegurança jurídica absoluta, uma espécie de terror processual que forçava a submissão da comunidade ao jugo da dupla. Quem não se ajoelhava, simplesmente não via seus processos andarem.

3. Blindagem ao crime organizado

A promiscuidade entre a toga e a tribuna desceu ao subsolo do código penal. Documentos revelam que Bemfica foi acusado — e investigado — por paralisar sistematicamente as investigações contra uma quadrilha especializada em roubo de automóveis que atuava na região. Caso? Os bandidos eram defendidos justamente por Morvan Acayaba. Mas o ponto mais grave, o que fez até mesmo os censores do regime franzirem a testa, foi outro: em um ato descarado de “proteção a apaniguados”, o juiz mandou arquivar um processo de corrupção de menores que envolvia drogas e prostituição. As vítimas — meninas e meninos pobres da periferia — foram silenciadas para blindar aliados da dupla envolvidos em escândalos sexuais.

4. Assédio e vingança: o caso Vilma Amâncio

Se o poder servia para proteger criminosos, servia também para satisfazer os impulsos mais sórdidos do magistrado. O caso da ex-aluna Vilma Amâncio é talvez a página mais sórdida desse capítulo. Vilma, jovem promissora formada na própria FADIVA, teve sua carreira profissional meticulosamente sabotada e foi impedida de advogar na comarca onde vivia. O motivo? Ela ousara recusar uma investida de natureza sexual do juiz. A perseguição implacável movida contra ela — que incluiu decisões monocráticas que inviabilizavam sua atuação profissional, difamação nos meios jurídicos locais e isolamento social forçado — expõe o caráter predador de Bemfica com uma nitidez aterradora. Os próprios órgãos de repressão da ditadura, não exatamente conhecidos por seu apreço aos direitos humanos, classificaram a conduta do juiz como “indigna do cargo que ocupa”.


VETOR II — A FADIVA: O feudo familiar travestido de academia

Se o Fórum era o braço armado da dupla, a Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA), fundada em 1966, funcionava como o cofre, o celeiro e a máquina de reprodução do sistema. Sob o manto sagrado da educação, Bemfica e Rezende montaram um esquema de enriquecimento ilícito e nepotismo desenfreado que envergonharia qualquer oligarquia nordestina da República Velha.

1. O controle absoluto em mãos privadas

A arquitetura institucional era uma blindagem perfeita: Francisco Vani Bemfica presidia a Fundação Educacional de Varginha (FUNEVA), a mantenedora, enquanto Morvan Acayaba dirigia a Faculdade. Na prática, Bemfica agia como o “dono” da instituição, e ponto final. Relatos colhidos pela investigação militar afirmam textualmente que “nada lá se resolveu sem que imperasse a sua vontade de Juiz”. As reuniões do conselho eram meras formalidades para carimbar decisões já tomadas em conversas privadas entre os dois sócios.

2. O maior cabide de empregos do estado

A FADIVA foi transformada em uma agência de empregos para o clã Vani. Parentes em profusão — o levantamento da inteligência lista nomes como Carlos Magno, Djalma Vani, Ercílio Dias e Mário Vani Bemfica — foram alocados na folha de pagamento em cargos de existência duvidosa ou com salários incompatíveis com as funções exercidas. O orçamento da educação, pago com mensalidades de centenas de alunos que sonhavam com um futuro na advocacia, fluía diretamente para os bolsos da família que controlava a instituição. Uma máquina de transferência de renda disfarçada de projeto pedagógico.

3. O estelionato imobiliário

A gestão financeira da Fundação era marcada pela opacidade total. Balancetes? Nunca eram publicados. Prestação de contas? Inexistente. Para completar o quadro de promiscuidade, Bemfica acumulava as funções de presidente e tesoureiro, assinando sozinho as entradas e saídas de recursos. Mas a ousadia criminosa da dupla atingiu seu ápice em uma operação imobiliária digna de manual de fraudes: a manipulação da venda e recompra de um terreno inalienável — isto é, que por estatuto não poderia ser vendido — da própria Fundação. Através do que os documentos chamam de “sutileza e astúcia”, o juiz lucrou pessoalmente sobre o patrimônio que tinha o dever legal e moral de proteger. Vendeu para si mesmo, por procurações interpostas, um bem que não lhe pertencia.

4. A herança do sistema: a dinastia que não terminou

O mais assustador, para quem olha em retrospecto, é a perpetuação desse modelo para além da ditadura. A “Dupla do Terror” não apenas saqueou a instituição enquanto esteve no poder; tratou de garantir a sucessão hereditária do esquema. Os documentos mostram como Aloísio Rabêlo de Rezende, filho de Morvan, foi introduzido como professor na FADIVA ainda jovem, enquanto Márcio Vani Bemfica, filho de Francisco, ascendeu à Vice-Presidência da FUNEVA. O feudo não acabou com a aposentadoria compulsória ou a cassação; ele foi herdado, como uma coroa passada de pai para filho. Até hoje, pergunte a qualquer advogado mais velho de Varginha sobre os “meninos da Vani” e observe o silêncio constrangido.


VETOR III — O SAQUE PATRIMONIAL: Como converter poder público em fortuna privada

A aliança Vani-Rezende não era movida por ideologia, ódio ou paixão política. Era movida por dinheiro. E funcionava como um mecanismo calibrado com precisão de relojoaria para converter poder público em riqueza privada de forma rápida, brutal e, aparentemente, legal.

1. O roubo de heranças às viúvas e órfãos

Quando Francisco Vani Bemfica chegou a Varginha, era um homem de poucos recursos, um juiz recém-empossado com salário modesto. Poucos anos depois, acumulava um “apreciável patrimônio”, nas palavras discretas do relatório do SNI. Qual o método? A autoadjudicação de bens em processos de inventário que ele mesmo julgava. O juiz simplesmente tomava para si bens de pessoas falecidas — propriedades rurais, imóveis urbanos, ações — em processos onde atuava simultaneamente como julgador e beneficiário. Viúvas recentes, órfãos menores de idade, herdeiros desavisados: todos foram lesados pela caneta do magistrado que deveria protegê-los.

2. A engenharia jurídica do roubo

O deputado Morvan Acayaba não era apenas um espectador privilegiado desse esquema. Os documentos revelam que foi o próprio deputado quem minutou a escritura criminosa que permitiu ao juiz comprar ilegalmente direitos hereditários sobre bens em disputa. A lei — essa entidade abstrata que ambos deveriam servir — foi usada como verniz para dar aparência de legalidade ao roubo descarado. A escritura, redigida com o cuidado de um ourives, passava pelo crivo do cartório, era registrada e ganhava a presunção de legitimidade. O saque estava consumado.

3. A falência encomendada para beneficiar o cunhado

O tráfico de influência da dupla atingiu o setor produtivo da cidade no caso da Usina de Pasteurização Varginha Ltda., uma empresa local de processamento de leite que empregava dezenas de famílias. Bemfica usou seu poder discricionário para converter uma concordata — um pedido de recuperação judicial, diríamos hoje — em falência decretada. A manobra tinha um destinatário claro: Navantino Alves Teixeira, cunhado de Morvan Acayaba, que desejava adquirir os ativos da usina por uma pechincha no leilão judicial. Funcionários foram à rua, fornecedores perderam tudo, e o cunhado do deputado ficou com o negócio.

4. O juiz cabo eleitoral

Ignorando solenemente qualquer noção de decoro magistral ou imparcialidade, Bemfica — que acumulava a função de Juiz Eleitoral da comarca — fez “aberta campanha política” para seu sócio Morvan durante as eleições estaduais. Documentos descrevem o juiz participando de comícios, distribuindo santinhos e pressionando servidores do fórum a votarem no “nosso deputado”. A toga jamais o impediu de agir como um “politiqueiro” de província, porque para ele a toga nunca foi um símbolo de imparcialidade — era apenas mais um instrumento de poder.


O VEREDICTO DA HISTÓRIA: Por que a memória dessa dupla ainda importa

A extensão da corrupção institucional em Varginha era tão flagrante, tão escancarada, que chegou a chocar até os censores e agentes do regime militar — homens acostumados a tolerar todo tipo de arbítrio em nome da “segurança nacional”. Os relatórios oficiais produzidos pela inteligência são impiedosos: concluem que a conduta de Francisco Vani Bemfica era marcada por “leviandade, corrupção e desmandos”, classificando-o como um “cancro social que necessita ser extirpado com urgência do organismo judiciário”.

A recomendação da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça foi drástica e sem precedentes na época: Aposentadoria Compulsória para o juiz — a punição máxima prevista para a magistratura, equivalente à expulsão — e Cassação Imediata do mandato do deputado federal Morvan Acayaba. Em 1975, o Conselho Nacional de Magistratura (órgão precursor do atual CNJ) acatou a recomendação e aposentou Bemfica. Morvan perdeu o mandato e viu sua carreira política naufragar.

Mas a história da “Dupla do Terror” não é apenas uma crônica do passado. É um lembrete sombrio de como instituições democráticas — o Judiciário, o Legislativo, a universidade — podem ser capturadas por interesses privados quando a sociedade civil dorme no ponto. É a prova viva de que cidades inteiras podem se tornar reféns de um sistema onde a lei é apenas uma arma na mão do mais forte, e os mais fracos — as viúvas, os órfãos, as vítimas de assédio, os pequenos comerciantes — pagam o pato.

Os documentos agora abertos contam essa história em detalhes sórdidos. Mas talvez a lição mais importante seja outra: a de que a justiça não se faz apenas com leis bem escritas, mas com fiscais vigilantes, imprensa livre e cidadãos que não se calam diante do arbítrio. Varginha dos anos 1970 não tinha isso. Varginha de hoje — e o Brasil de hoje — ainda está aprendendo a construir.

Os arquivos estão aí. Cabe a nós lê-los.

Novos documentos dissecam a anatomia do “Feudo Vani-Rezende”: uma máquina de coerção que capturou o Judiciário, loteou o ensino superior e transformou a lei em instrumento de vingança sexual e lucro privado. O que aconteceu em Varginha na década de 1970 não foi uma anomalia administrativa ou um deslize ético isolado. Foi a instalação meticulosa de um sistema de dominação cognitiva e funcional. Documentos da inteligência militar e inquéritos da época revelam que o juiz Francisco Vani Bemfica e o deputado estadual Morvan Aloysio Acayaba de Rezende operaram uma simbiose criminosa apelidada nos bastidores de “Dupla do Terror”. Juntos, eles não apenas corromperam as instituições; eles as sequestraram. O Direito deixou de ser o império da lei para se tornar uma ferramenta de saque, coerção e manutenção de poder. A análise detalhada dos arquivos permite dissecar essa praga institucional em três vetores de destruição que assolaram o sul de Minas. — VETOR I: A Captura Judicial e a “Justiça de Duas Velocidades” A toga de Francisco Vani Bemfica nunca foi um símbolo de imparcialidade, mas sim uma “capa e espada” para legitimar o crime. O Fórum de Varginha foi convertido em um balcão de negócios onde a sentença dependia exclusivamente de quem era o advogado. 1. O Juiz como Agenciador A investigação aponta uma “sociedade de fato” entre o magistrado e o escritório de advocacia de Morvan Rezende. Na prática, Bemfica atuava como um aliciador de causas de luxo. Aos clientes, a mensagem era clara: contratar o escritório de Acayaba era a única garantia de que “não se perderia as causas naquele Juízo”. 2. O Terror Processual Para quem não se submetia à facção política de Rezende, a Justiça era uma armadilha. Advogados independentes e cidadãos comuns enfrentavam o que os relatórios chamam de “risco de perda da questão” ou a “demora liberada”. Processos eram engavetados ou acelerados conforme a conveniência política, criando um ambiente de insegurança jurídica absoluta que forçava a submissão da comunidade. 3. Blindagem ao Crime Organizado A corrupção moral de Bemfica chegou ao subsolo do código penal. O juiz foi acusado de paralisar processos de uma quadrilha de ladrões de automóveis, defendida justamente por Morvan Acayaba. Mais grave ainda: em um ato de “proteção a apaniguados”, Bemfica mandou arquivar um processo de corrupção de menores que envolvia drogas e prostituição, blindando aliados de escândalos sexuais. 4. Assédio e Vingança: O Caso Vilma Amâncio O poder do juiz servia também para satisfazer seus impulsos pessoais. O relatório cita o caso da ex-aluna Vilma Amâncio, que teve sua carreira sabotada e foi impedida de advogar na comarca. O motivo? Ela recusou uma investida de natureza sexual do magistrado. A perseguição implacável contra ela expõe o caráter predador de Bemfica, classificado pelos próprios órgãos de repressão da ditadura como “indigno do cargo”. — VETOR II: A FADIVA como Feudo Familiar e Financeiro Se o Fórum era o braço armado, a Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA), fundada em 1966, era o cofre. Sob o manto da educação, Bemfica e Rezende montaram um esquema de enriquecimento ilícito e nepotismo desenfreado. 1. O Controle Absoluto A estrutura era blindada: Francisco Vani Bemfica presidia a Fundação Educacional de Varginha (FUNEVA), a mantenedora, enquanto Morvan Acayaba dirigia a Faculdade. Bemfica agia como o “dono” da instituição. Relatos da época afirmam que “nada lá se resolveu sem que imperasse a sua vontade de Juiz”. 2. O “Maior Cabide de Empregos do Estado” A FADIVA foi transformada em uma agência de empregos para o clã. Parentes como Carlos Magno, Djalma Vani, Ercílio Dias e Mário Vani Bemfica foram alocados na folha de pagamento, garantindo que o orçamento da educação fluísse diretamente para os bolsos da família. 3. O Estelionato Imobiliário A gestão financeira era marcada pela opacidade total — balancetes nunca eram publicados e Bemfica acumulava as funções de presidente e tesoureiro. A ousadia criminosa culminou em uma operação imobiliária fraudulenta: a manipulação da venda e recompra de um terreno inalienável da própria Fundação. Através de “sutileza e astúcia”, o juiz lucrou pessoalmente sobre o patrimônio que deveria proteger. 4. A Herança do Sistema O mais assustador é a perpetuação desse modelo. A “Dupla do Terror” garantiu a sucessão hereditária do poder na instituição: Aloísio Rabêlo de Rezende (filho de Morvan) tornou-se professor na FADIVA, e Márcio Vani Bemfica (filho de Francisco) ascendeu à Vice-Presidência da FUNEVA. O feudo não acabou; ele foi herdado. — VETOR III: O Saque Patrimonial e a Corrupção Política A aliança Vani-Rezende foi um mecanismo calibrado para converter poder público em riqueza privada de forma rápida e brutal. 1. O Roubo de Heranças Francisco Vani Bemfica chegou a Varginha como um homem de poucos recursos, mas em pouco tempo acumulou um “apreciável patrimônio”. O método? A autoadjudicação de bens em processos de inventário que ele mesmo julgava. O juiz tomava para si os bens de falecidos, lesando viúvas e órfãos. 2. A Engenharia Jurídica do Roubo O deputado Morvan Acayaba não era apenas um espectador; ele era o arquiteto técnico da fraude. Foi o próprio deputado quem minutou a escritura criminosa que permitiu ao juiz comprar ilegalmente direitos hereditários. A lei foi usada para dar verniz de legalidade ao roubo. 3. A Falência Encomendada O tráfico de influência atingiu o setor produtivo no caso da Usina de Pasteurização Varginha Ltda. Bemfica usou seu poder para converter uma concordata em falência, uma manobra desenhada para beneficiar Navantino Alves Teixeira, cunhado de Morvan Acayaba. 4. O Juiz Cabo Eleitoral Ignorando qualquer decoro magistral, Bemfica, que também atuava como Juiz Eleitoral, fez “aberta campanha política” para seu sócio Morvan, provando que a toga jamais o impediu de agir como um “politiqueiro” de província. — O Veredito da História A extensão da corrupção em Varginha era tão flagrante que chocou até os censores do regime militar. Os relatórios oficiais concluíram que a conduta de Francisco Vani Bemfica era marcada por “leviandade, corrupção e desmandos”, classificando-o como um “cancro social que necessita ser extirpado”. A recomendação da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça foi drástica: Aposentadoria Compulsória para o juiz e Cassação Imediata do mandato do deputado. A história da “Dupla do Terror” é um lembrete sombrio de como instituições democráticas podem ser capturadas por interesses privados, transformando cidades inteiras em reféns de um sistema onde a lei é apenas uma arma na mão do mais forte.

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