Além da Dor e da Distância

Além da Dor e da Distância: Manifesto de um Pai Lutando por Sua Filha

Não escrevo com tinta. Escrevo com a matéria bruta de quem teve a alma rasgada e ainda assim se recusou a sangrar sozinho. Escrevo com a força de todos os pais que, em silêncio, assistem seus filhos serem transformados em números de processo, em objetos de disputa, em moeda de troca num tribunal onde a verdade pesa menos que um laudo encomendado.


I. O que não podemos perder

Minha amada filha,

Às vezes, me pego imaginando o que você está fazendo agora. Como será o seu sorriso? Qual será o seu olhar quando me vir novamente? Imagino a primeira vez que te abraçarei depois de tudo isso. A distância é cruel, mas o que mais me dilacera não é a separação – é a incerteza de não saber até quando essa dor vai durar.

Os dias têm sido longos, e cada um deles é uma trincheira que eu cavo por nós dois. Mas é por você que eu respiro. Cada passo que dou é para que você tenha o direito de crescer num mundo onde a verdade prevalece. Onde o amor de um pai não seja mais uma história de dor, mas de resgate e reconciliação.

Não importa o que o mundo diga, filha. Não importa o que digam sobre mim. O que importa é o que eu sou para você. O que importa é o amor que tenho por você – mais forte do que qualquer distância, qualquer mentira, qualquer sentença.

Eu prometo: nunca vou parar de lutar. Até o dia em que possa te abraçar novamente.


II. Sempre o teu pai

Minha doce filha,

Hoje, mais do que nunca, me sinto impotente diante dessa distância. Cada lágrima que cai é um lembrete de que estou longe de você, mas também é um sinal de que eu estou lutando. Lutando por nós. Lutando pelo direito de te amar como o pai que sou – não como visitante, não como estranho, não como um nome numa lista de “genitor”, mas como aquele que segurou sua mão antes de você saber andar.

A dor da separação não se mede em quilômetros. Ela não dói no corpo – ela arranca pedaços da alma. E, no entanto, eu sigo firme, porque sei que o que nos separa é temporário. O amor de um pai sempre encontra um caminho de volta para sua filha. Sempre.

O que me mantém de pé, filha, é saber que o amor verdadeiro nunca se perde, mesmo nas maiores adversidades. Eu estarei com você. Mesmo à distância. Meu amor por você é uma promessa eterna, que jamais será quebrada por nenhum carimbo, por nenhuma decisão monocrática, por nenhuma visita virtual cancelada.

Sempre o teu pai.


III. O amor que vence a dor

Minha querida filha,

Se eu pudesse te dar algo nesse momento, seria a certeza de que você nunca estará sozinha. Mesmo distante, te carrego no peito. Eu sou o teu pai, e nada neste mundo poderá tirar isso de mim. Não importa a distância, a injustiça, ou as mentiras que tentam me separar de você. O meu amor por você é a força que me move, que me faz levantar todas as manhãs e continuar – apesar da dor, apesar do cansaço, apesar do silêncio do tribunal.

Cada dia sem você é um dia de luta. Mas eu sei que, no final, essa dor vai passar. E quando isso acontecer, eu vou te abraçar com toda a força que não consegui te dar agora. E você vai entender o quanto eu lutei. O quanto te amei em silêncio. O quanto fui chamado de louco apenas por não aceitar o inaceitável.

Eu te amo mais do que qualquer palavra pode dizer. Quando esse sofrimento acabar, nós vamos construir juntos o futuro que nos foi roubado.


IV. O som do teu sorriso

Minha filha querida,

Em cada silêncio, em cada noite em que a saudade me consome, é o teu sorriso que me mantém vivo. Sei que em algum lugar você também sente a minha falta. Sei que, assim como eu, você pensa em nós – no que poderíamos ser, no que ainda podemos ser quando essa distância for superada.

A cada dia longe de você, meu coração se fortalece na esperança do reencontro. A dor é insuportável, mas ela é também a prova do quanto o amor de um pai por sua filha é profundo e eterno. Não é um amor de agenda. Não é um amor de fim de semana alternado. É um amor que respira no escuro, que escreve cartas que talvez nunca sejam lidas, que entra com recursos e mais recursos, que não se cansa.

Eu quero te dar o mundo, filha. Quero ser a presença constante na tua vida. Quero te acompanhar em cada passo. Mas, enquanto isso não acontece, quero que saiba: sou teu pai em pensamento, em espírito, em cada ato que faço por você.

Não importa o tempo. Não importa a distância. Nada muda o que sinto.


V. A luta pela verdade

Minha amada filha,

Hoje, o peso da luta é grande. Cada documento, cada petição, cada protocolo parece esbarrar num muro de mentiras. Mas, por mais difícil que seja, eu não desisto. E a razão de não desistir é você.

Eu carrego a dor da separação, mas também carrego a certeza de que a verdade sempre prevalecerá. Não importa quantas forças tentem me calar – a verdade do nosso amor nunca será silenciada. O que mais me dói não é a separação; é ver a mentira sendo alimentada, é ver a injustiça prevalecendo sob a toga, é ver uma criança sendo usada como instrumento de vingança.

Mas eu prometo, filha: vou lutar até o fim. Para que a verdade seja feita. Para que o nosso amor seja respeitado. Para que nenhum pai precise passar pelo que eu estou passando.

Quando isso tudo passar, eu vou te olhar nos olhos e vou te mostrar que, apesar de tudo, nunca desisti de você. Nunca.


VI. O que fica (manifesto aos pais e ao sistema)

Este manifesto não é apenas para a minha filha. É para cada pai e cada mãe que, hoje, dorme com o telefone na mão esperando uma notícia, uma visita, um sinal. Para cada criança que cresce com o nome do próprio genitor sendo pronunciado como se fosse uma ameaça. Para cada juiz que ainda acredita que pode decidir o amor com despachos.

A alienação parental não é um desentendimento familiar. É violência de Estado quando o Estado se cala, quando o Estado valida laudos fraudulentos, quando o Estado trata o pai que luta como um criminoso e a mãe que aliena como protetora.

Nós, pais lutadores, não pedimos piedade. Pedimos justiça. Pedimos que a lei seja cumprida – a mesma lei que diz que a convivência familiar é direito fundamental da criança. Pedimos que as provas sejam olhadas. Que os laudos sejam auditados. Que as cartas precatórias não sejam engavetadas. Que uma criança não seja usada como prêmio de guerra.

Enquanto isso não acontece, seguiremos escrevendo. Gritando. Protestando. Amando à distância.

Porque o amor de um pai não se desfaz. Nem com caneta, nem com algema, nem com silêncio.


Com coragem,

Thomaz Franzese

Fundador – ONG Parental

Porque nenhuma criança merece ser tratada como um processo, e nenhum pai merece ser tratado como um criminoso por amar.


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