Entendendo a Alienação Parental – Guia

  1. Olá! Vamos Conversar Sobre um Assunto Delicado?

Olá! Como psicóloga especialista em dinâmicas familiares, sei que alguns assuntos podem ser difíceis de abordar, mas são muito importantes para o bem-estar das crianças e adolescentes. O objetivo deste guia é conversar com você sobre um tópico complexo e, infelizmente, comum: a alienação parental. Vamos usar uma linguagem simples e direta, sem jargões jurídicos, para que você possa entender o que é, como acontece e, principalmente, quais são seus impactos.

  1. O Que Exatamente é Alienação Parental?

De forma bem clara, a alienação parental acontece quando um dos pais (ou outro adulto, como avós ou um novo parceiro) age de forma a manipular os sentimentos e a percepção de uma criança para que ela rejeite, sinta medo ou raiva do outro genitor, sem que haja um motivo real para isso. Internamente, a criança vive um conflito de lealdade devastador. Amar um dos pais passa a significar trair o outro, uma carga emocional que nenhuma criança está preparada para suportar.

É como se alguém tentasse apagar metade da história e da identidade da criança, fazendo-a acreditar que uma das pessoas mais importantes de sua vida é má ou perigosa. Essa é uma forma de abuso psicológico, pois coloca a criança no meio de um conflito adulto, forçando-a a tomar um lado e a negar seus próprios sentimentos. A situação é tão grave que a criança acaba sendo usada como uma ferramenta no conflito.

“A FILHA, QUE DEVERIA SER INTOCÁVEL EM SUA INOCÊNCIA, É USADA COMO MOEDA DE CHANTAGEM, COMO ESCUDO EMOCIONAL E COMO REFÉM SIMBÓLICA.”

Para entender melhor, vamos ver algumas das formas como isso pode acontecer na prática.

  1. Como a Alienação Parental Pode Acontecer?

A alienação parental não é um evento único, mas um processo que se manifesta através de várias táticas de manipulação. Usando exemplos de um caso real, podemos ilustrar como esses comportamentos se parecem no dia a dia.

3.1. Fazer Acusações Falsas para Criar Medo

Uma das táticas mais comuns é criar uma narrativa de perigo, fazendo acusações falsas para que a criança e outras pessoas (como juízes, professores e assistentes sociais) acreditem que o outro genitor é uma ameaça.

  • Acusação de Ameaça: No caso estudado, a mãe acusou o pai de fazer uma “ameaça de morte”. Isso gerou um medo intenso e resultou em uma medida protetiva que o impedia de se aproximar dela.
  • A Verdade por Trás da Acusação: Mais tarde, ficou provado que a suposta “ameaça” era, na verdade, uma expressão de profunda tristeza do pai, que falava sobre seus próprios pensamentos suicidas. Era um pedido de ajuda, e não uma ameaça a outra pessoa.
  • Rótulos Negativos: A mãe tentou persistentemente rotular o pai como “instável”, “desequilibrado” e “usuário de drogas”, sem apresentar nenhuma prova concreta, com o objetivo de manchar sua imagem e justificar o afastamento.

Por que essa tática é usada? O objetivo é construir uma imagem tão negativa do outro genitor que o afastamento pareça justificado e necessário, fazendo com que a própria criança se sinta insegura perto dele. Esse medo fabricado não é apenas um truque psicológico; é o primeiro passo para criar o ‘estresse tóxico’ que pode interromper o desenvolvimento cerebral da criança, transformando uma figura de apego segura em uma fonte de ansiedade.

3.2. Bloquear Todo Tipo de Contato

Outra estratégia é impedir ou dificultar ao máximo qualquer forma de contato entre a criança e o outro genitor. Isso cria uma barreira física e emocional que, com o tempo, enfraquece os laços afetivos.

O Que a Criança Precisa e Tem Direito O Que Aconteceu no Caso (Exemplos de Bloqueio) Ter contato regular e previsível com ambos os pais. O pai foi impedido de ver a filha por mais de oito meses. Poder falar por telefone ou videochamada. As ligações de vídeo do pai eram ignoradas ou bloqueadas pela mãe. A família do pai (avós, tios) também poder conviver. Os avós paternos foram impedidos de ver a neta e precisaram entrar na justiça. Saber onde a criança está e como ela está. A mãe mudou-se para outro estado sem avisar o pai, dificultando ainda mais o contato.

Essa separação forçada vai além da tristeza; ela priva o cérebro em desenvolvimento da criança das interações consistentes e emocionalmente disponíveis que a ciência demonstra serem essenciais para a construção da resiliência e do apego seguro.

3.3. Manipular as Leis e o Sistema Judicial

As leis existem para proteger, mas infelizmente podem ser usadas de forma desonesta para praticar a alienação. Isso acontece quando uma pessoa mente ou omite informações para conseguir uma decisão judicial favorável.

  1. Uso Incorreto da Medida Protetiva: A mãe obteve uma medida protetiva de urgência (baseada na Lei Maria da Penha) usando a falsa acusação de ameaça. Essa lei, criada para proteger vítimas de violência real, foi usada como uma “arma” para afastar o pai legalmente.
  2. Ocultação de Informação Crucial: A decisão da medida protetiva dizia claramente que a proibição de contato NÃO SE ESTENDIA À FILHA. A mãe escondeu essa parte da decisão nos outros processos judiciais, fazendo parecer que o pai estava legalmente proibido de ver a criança, o que era mentira.
  3. Criação de Provas Falsas: A mãe apresentou um atestado psiquiátrico para provar que estava sofrendo psicologicamente por causa do pai. Foi descoberto que o laudo foi “encomendado” e escrito enquanto ela estava em uma ligação telefônica com seu advogado, configurando uma fraude.

Todas essas ações, infelizmente, causam um impacto muito grande em todos os envolvidos, especialmente na criança.

  1. Quais são as Consequências da Alienação Parental?

As táticas descritas acima — as falsas acusações, o bloqueio de contato, a manipulação judicial — não são apenas pontos em uma disputa legal. Elas são gatilhos para danos severos e, por vezes, duradouros ao bem-estar emocional e neurológico de uma criança.

4.1. O Impacto na Saúde Emocional e Cerebral da Criança

  • Estresse Tóxico: Isso não é apenas um sentimento, mas um evento biológico. A ruptura abrupta de um vínculo seguro inunda o cérebro da criança com hormônios de estresse, como o cortisol, de forma prolongada. A ciência mostra que esse “estresse tóxico” pode danificar o desenvolvimento de estruturas cerebrais responsáveis pelo aprendizado, memória e regulação emocional. O papel de um pai ou mãe como “amortecedor” contra as adversidades da vida é destruído, deixando a criança neurobiologicamente vulnerável.
  • Perda de Referências: Cada dia de afastamento injusto faz com que a criança perca referências emocionais e vivências importantes de amor, segurança e pertencimento com o genitor alienado. É um tempo que nunca mais poderá ser recuperado.
  • Confusão e Culpa: A criança, incapaz de compreender as motivações adultas, muitas vezes internaliza a culpa pelo afastamento. Ela pode criar fantasias de que “fez algo de errado” para que um de seus pais a “abandonasse”, um fardo pesado que pode afetar sua autoestima e a forma como construirá relacionamentos no futuro.

4.2. O Sofrimento dos Pais

O sofrimento não se limita à criança e ao genitor afastado. Frequentemente, o genitor que pratica a alienação também está imerso em sua própria dor ou em transtornos não resolvidos, projetando seu sofrimento no conflito e sendo incapaz de enxergar o dano que causa à criança. O genitor alienado, por sua vez, vive uma dor imensa, um misto de desespero, impotência e saudade. No caso que vimos, o pai tentava de todas as formas ter notícias da filha, sem sucesso. Sua angústia fica clara em suas mensagens:

“Cadê minha filha? Eu não aguento isso. Me dê notícias.”

É uma situação muito difícil, mas é importante saber que você não está sozinho(a) e que existem caminhos para buscar ajuda.

  1. O Que Fazer Diante Disso?

A alienação parental é um problema sério, e é fundamental que todos saibam que a criança ou o adolescente nunca é culpado(a) por essa situação. É por isso que existem profissionais, como psicólogos, assistentes sociais e juízes, que se dedicam a entender o que realmente está acontecendo em cada família, sempre com o objetivo de proteger quem é mais vulnerável. A prioridade é garantir que o direito fundamental de toda criança à convivência familiar com ambos os pais seja respeitado, sempre que isso for seguro e saudável para ela. Se você está passando por algo parecido ou conhece alguém nessa situação, buscar orientação profissional é o primeiro passo para encontrar um caminho de paz e reconstrução dos laços.

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