- Olá! Vamos Conversar Sobre um Assunto Delicado?
Olá! Como psicóloga especialista em dinâmicas familiares, sei que alguns assuntos podem ser difíceis de abordar, mas são muito importantes para o bem-estar das crianças e adolescentes. O objetivo deste guia é conversar com você sobre um tópico complexo e, infelizmente, comum: a alienação parental. Vamos usar uma linguagem simples e direta, sem jargões jurídicos, para que você possa entender o que é, como acontece e, principalmente, quais são seus impactos.
- O Que Exatamente é Alienação Parental?
De forma bem clara, a alienação parental acontece quando um dos pais (ou outro adulto, como avós ou um novo parceiro) age de forma a manipular os sentimentos e a percepção de uma criança para que ela rejeite, sinta medo ou raiva do outro genitor, sem que haja um motivo real para isso. Internamente, a criança vive um conflito de lealdade devastador. Amar um dos pais passa a significar trair o outro, uma carga emocional que nenhuma criança está preparada para suportar.
É como se alguém tentasse apagar metade da história e da identidade da criança, fazendo-a acreditar que uma das pessoas mais importantes de sua vida é má ou perigosa. Essa é uma forma de abuso psicológico, pois coloca a criança no meio de um conflito adulto, forçando-a a tomar um lado e a negar seus próprios sentimentos. A situação é tão grave que a criança acaba sendo usada como uma ferramenta no conflito.
“A FILHA, QUE DEVERIA SER INTOCÁVEL EM SUA INOCÊNCIA, É USADA COMO MOEDA DE CHANTAGEM, COMO ESCUDO EMOCIONAL E COMO REFÉM SIMBÓLICA.”
Para entender melhor, vamos ver algumas das formas como isso pode acontecer na prática.
- Como a Alienação Parental Pode Acontecer?
A alienação parental não é um evento único, mas um processo que se manifesta através de várias táticas de manipulação. Usando exemplos de um caso real, podemos ilustrar como esses comportamentos se parecem no dia a dia.
3.1. Fazer Acusações Falsas para Criar Medo
Uma das táticas mais comuns é criar uma narrativa de perigo, fazendo acusações falsas para que a criança e outras pessoas (como juízes, professores e assistentes sociais) acreditem que o outro genitor é uma ameaça.
- Acusação de Ameaça: No caso estudado, a mãe acusou o pai de fazer uma “ameaça de morte”. Isso gerou um medo intenso e resultou em uma medida protetiva que o impedia de se aproximar dela.
- A Verdade por Trás da Acusação: Mais tarde, ficou provado que a suposta “ameaça” era, na verdade, uma expressão de profunda tristeza do pai, que falava sobre seus próprios pensamentos suicidas. Era um pedido de ajuda, e não uma ameaça a outra pessoa.
- Rótulos Negativos: A mãe tentou persistentemente rotular o pai como “instável”, “desequilibrado” e “usuário de drogas”, sem apresentar nenhuma prova concreta, com o objetivo de manchar sua imagem e justificar o afastamento.
Por que essa tática é usada? O objetivo é construir uma imagem tão negativa do outro genitor que o afastamento pareça justificado e necessário, fazendo com que a própria criança se sinta insegura perto dele. Esse medo fabricado não é apenas um truque psicológico; é o primeiro passo para criar o ‘estresse tóxico’ que pode interromper o desenvolvimento cerebral da criança, transformando uma figura de apego segura em uma fonte de ansiedade.
3.2. Bloquear Todo Tipo de Contato
Outra estratégia é impedir ou dificultar ao máximo qualquer forma de contato entre a criança e o outro genitor. Isso cria uma barreira física e emocional que, com o tempo, enfraquece os laços afetivos.
O Que a Criança Precisa e Tem Direito O Que Aconteceu no Caso (Exemplos de Bloqueio) Ter contato regular e previsível com ambos os pais. O pai foi impedido de ver a filha por mais de oito meses. Poder falar por telefone ou videochamada. As ligações de vídeo do pai eram ignoradas ou bloqueadas pela mãe. A família do pai (avós, tios) também poder conviver. Os avós paternos foram impedidos de ver a neta e precisaram entrar na justiça. Saber onde a criança está e como ela está. A mãe mudou-se para outro estado sem avisar o pai, dificultando ainda mais o contato.
Essa separação forçada vai além da tristeza; ela priva o cérebro em desenvolvimento da criança das interações consistentes e emocionalmente disponíveis que a ciência demonstra serem essenciais para a construção da resiliência e do apego seguro.
3.3. Manipular as Leis e o Sistema Judicial
As leis existem para proteger, mas infelizmente podem ser usadas de forma desonesta para praticar a alienação. Isso acontece quando uma pessoa mente ou omite informações para conseguir uma decisão judicial favorável.
- Uso Incorreto da Medida Protetiva: A mãe obteve uma medida protetiva de urgência (baseada na Lei Maria da Penha) usando a falsa acusação de ameaça. Essa lei, criada para proteger vítimas de violência real, foi usada como uma “arma” para afastar o pai legalmente.
- Ocultação de Informação Crucial: A decisão da medida protetiva dizia claramente que a proibição de contato NÃO SE ESTENDIA À FILHA. A mãe escondeu essa parte da decisão nos outros processos judiciais, fazendo parecer que o pai estava legalmente proibido de ver a criança, o que era mentira.
- Criação de Provas Falsas: A mãe apresentou um atestado psiquiátrico para provar que estava sofrendo psicologicamente por causa do pai. Foi descoberto que o laudo foi “encomendado” e escrito enquanto ela estava em uma ligação telefônica com seu advogado, configurando uma fraude.
Todas essas ações, infelizmente, causam um impacto muito grande em todos os envolvidos, especialmente na criança.
- Quais são as Consequências da Alienação Parental?
As táticas descritas acima — as falsas acusações, o bloqueio de contato, a manipulação judicial — não são apenas pontos em uma disputa legal. Elas são gatilhos para danos severos e, por vezes, duradouros ao bem-estar emocional e neurológico de uma criança.
4.1. O Impacto na Saúde Emocional e Cerebral da Criança
- Estresse Tóxico: Isso não é apenas um sentimento, mas um evento biológico. A ruptura abrupta de um vínculo seguro inunda o cérebro da criança com hormônios de estresse, como o cortisol, de forma prolongada. A ciência mostra que esse “estresse tóxico” pode danificar o desenvolvimento de estruturas cerebrais responsáveis pelo aprendizado, memória e regulação emocional. O papel de um pai ou mãe como “amortecedor” contra as adversidades da vida é destruído, deixando a criança neurobiologicamente vulnerável.
- Perda de Referências: Cada dia de afastamento injusto faz com que a criança perca referências emocionais e vivências importantes de amor, segurança e pertencimento com o genitor alienado. É um tempo que nunca mais poderá ser recuperado.
- Confusão e Culpa: A criança, incapaz de compreender as motivações adultas, muitas vezes internaliza a culpa pelo afastamento. Ela pode criar fantasias de que “fez algo de errado” para que um de seus pais a “abandonasse”, um fardo pesado que pode afetar sua autoestima e a forma como construirá relacionamentos no futuro.
4.2. O Sofrimento dos Pais
O sofrimento não se limita à criança e ao genitor afastado. Frequentemente, o genitor que pratica a alienação também está imerso em sua própria dor ou em transtornos não resolvidos, projetando seu sofrimento no conflito e sendo incapaz de enxergar o dano que causa à criança. O genitor alienado, por sua vez, vive uma dor imensa, um misto de desespero, impotência e saudade. No caso que vimos, o pai tentava de todas as formas ter notícias da filha, sem sucesso. Sua angústia fica clara em suas mensagens:
“Cadê minha filha? Eu não aguento isso. Me dê notícias.”
É uma situação muito difícil, mas é importante saber que você não está sozinho(a) e que existem caminhos para buscar ajuda.
- O Que Fazer Diante Disso?
A alienação parental é um problema sério, e é fundamental que todos saibam que a criança ou o adolescente nunca é culpado(a) por essa situação. É por isso que existem profissionais, como psicólogos, assistentes sociais e juízes, que se dedicam a entender o que realmente está acontecendo em cada família, sempre com o objetivo de proteger quem é mais vulnerável. A prioridade é garantir que o direito fundamental de toda criança à convivência familiar com ambos os pais seja respeitado, sempre que isso for seguro e saudável para ela. Se você está passando por algo parecido ou conhece alguém nessa situação, buscar orientação profissional é o primeiro passo para encontrar um caminho de paz e reconstrução dos laços.
Este conteúdo foi revisado para manter aderência jurídica e consistência técnica. Para aprofundamento atualizado por tema, consulte os guias pilares abaixo.
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