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Dossiê Militar Revela a Anatomia da Corrupção de Francisco Vani Bemfica

O FEUDO DE TOGA: Dossiê Militar Revela a Anatomia da Corrupção de Francisco Vani Bemfica

Uma investigação sobre como documentos secretos do SNI e do Exército desmantelam o mito do “jurista educador” e expõem uma máquina de enriquecimento ilícito e abuso de poder no sul de Minas Gerais.

Por Redação Investigativa Data: 10 de Janeiro de 2026

Durante décadas, a figura de Francisco Vani Bemfica foi polida pela historiografia local de Varginha (MG) sob a alcunha de jurista respeitado e educador. No entanto, o acesso a documentos confidenciais produzidos pelos próprios órgãos de repressão da Ditadura Militar — o Serviço Nacional de Informações (SNI) e o Centro de Informações do Exército (CIE) — revela uma realidade diametralmente oposta.

Longe da imparcialidade da magistratura, os registros oficiais datados do início da década de 1970 expõem um “colapso ético” absoluto. O que emerge dos arquivos não é a biografia de um homem da lei, mas a radiografia de um feudo judicial operado em conluio com o poder político local, onde a toga servia não à Justiça, mas ao acúmulo patrimonial e à intimidação.rnA Aliança do “Terror”: O Consórcio Bemfica-Morvan

Para compreender a extensão do domínio de Bemfica, é necessário contextualizar sua aliança com o então Deputado Estadual Morvan Aloysio Acayaba de Rezende. Os documentos sugerem que Varginha não vivia sob o império da lei, mas sob o jugo de uma “dupla do terror”.

Enquanto Morvan garantia a blindagem política e a influência nas esferas estaduais, Bemfica instrumentalizava o Poder Judiciário local. A comarca foi transformada em um balcão de negócios, onde sentenças eram mercadorias e o patrimônio de instituições públicas e de espólios privados era sistematicamente drenado para o bolso do magistrado e de seus prepostos.rnO Dossiê da Vergonha: As Provas do SNI (1971-1977)

A Informação nº 288/ABH/SNI (1973) é devastadora. O regime militar, conhecido por proteger seus aliados civis, viu-se obrigado a investigar Bemfica devido à flagrância e ao escândalo de suas ações. O documento lista crimes que ferem o cerne da magistratura:rn1. A Espoliação da Fundação Educacional

Bemfica é acusado de usar “testas de ferro” — identificados nominalmente como João Urbano Figueiredo Pinto e José Resende Pinto Filho — para transacionar imóveis da Fundação Educacional de Varginha de forma irregular. O juiz, que deveria zelar pelo patrimônio público e educacional, atuava como o artífice de sua dilapidação em benefício próprio.rn2. O Juiz que Comprava o que Julgava

Talvez a infração mais grave contra a ética jurídica apontada no dossiê seja a violação do Art. 1.133 do Código Civil de 1916. O documento afirma categoricamente que o Juiz Bemfica adquiria bens de inventários que tramitavam em sua própria vara. Ao atuar simultaneamente como juiz da causa e comprador dos bens, Bemfica aniquilava a imparcialidade, forçando vendas subfaturadas ou prejudicando herdeiros para ampliar seu patrimônio pessoal.rn3. A Manipulação Física dos Autos

O dossiê relata uma prática de coronelismo forense: a “retirada de folhas de processo”. Após prolatar sentenças, o juiz determinava a extração física de páginas dos autos, apagando rastros e manipulando a verdade processual. O documento cita ainda a “paralisação indevida dos serviços forenses” e o “arquivamento injustificado de processos” como táticas para favorecer aliados ou prejudicar inimigos.rnO Clamor da Imprensa: “Piolhos, Ratos e Bemficas”

Se os documentos militares mostram a frieza da análise de inteligência, os recortes do “O Jornal de Minas” de 1973 revelam o desespero e a revolta da sociedade varginhense.

A coragem editorial do jornal é notável. Em plena ditadura, as manchetes gritavam o que todos sabiam, mas temiam dizer:

“Este Juiz é um venal”: Acusação direta de venda de sentenças e propostas de suborno.

“Nocivos à cidade são os insetos como piolhos, ratos, bemficas…”: A comparação do magistrado a pragas urbanas denota o nível de repulsa pública.

A Fazenda e a Estrada: O jornal denuncia que o traçado da rodovia Varginha-Fernão Dias teria sido alterado ou manipulado para não “cortar a fazenda do Meritíssimo”, evidenciando o uso da infraestrutura pública para interesses privados.

“Varginha clama por justiça contra quem não faz Justiça.” — O Jornal de Minas, 03 de Mar. 1973.

Conclusão: A Necessidade de Revisão Histórica

A análise cruzada entre os relatórios de inteligência do Exército e a cobertura da imprensa local confirma que a atuação de Francisco Vani Bemfica não foi marcada por desvios pontuais, mas por uma corrupção sistêmica e estrutural.

A “rápida ascensão econômico-financeira” citada pelo SNI não foi fruto de herança ou trabalho lícito, mas do saqueio da comarca que ele jurou servir. A imagem de “educador” cai por terra diante da acusação de venda irregular de imóveis de uma fundação educacional.

Este dossiê histórico impõe uma revisão imediata da memória local. Manter homenagens ou referências honrosas a Francisco Vani Bemfica é perpetuar uma fraude. A história, munida de provas produzidas pelo próprio Estado à época, confirma: Varginha não tinha um juiz, tinha um senhor feudal togado que operava nas sombras da ditadura.rn

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