5 Lições Cruciais do Livro “Splitting” para Sobreviver a

Divorciar-se de alguém que parece ter duas personalidades pode ser uma experiência assustadora e confusa. Em público, são encantadores e razoáveis; em particular, são manipuladores, raivosos e acusadores. Se este cenário lhe parece familiar, você não está sozinho. O livro “Splitting: Protecting Yourself While Divorcing Someone with Borderline or Narcissistic Personality Disorder”, de Bill Eddy e Randi Kreger, é um guia essencial para navegar neste terreno traiçoeiro. Ele oferece estratégias práticas para se proteger quando o processo de divórcio com personalidades de alto conflito se torna um campo de batalha psicológico.

Este post irá destilar os cinco aprendizados mais surpreendentes e impactantes do livro, fornecendo ferramentas cruciais para quem enfrenta esta jornada.

1. O Sistema Judicial Pode Ser um Aliado Involuntário do “Acusador Persuasivo”

Pode parecer contraintuitivo, mas o próprio sistema judicial, com sua natureza adversarial, pode inadvertidamente fortalecer indivíduos com transtornos de personalidade (Borderline, Narcisista ou Antissocial). O livro os chama de “acusadores persuasivos”.

Isso acontece porque a estrutura do tribunal espelha a mentalidade de uma personalidade de alto conflito. O propósito do tribunal é decidir a culpa, que é a preocupação vitalícia do acusador. O sistema permite extremos emocionais dramáticos, que é exatamente como o acusador se comunica. O pensamento “tudo ou nada” e o foco incansável na culpa, característicos dessas personalidades, alinham-se perfeitamente com a estrutura de “ganha-perde” dos tribunais. Eles prosperam em um ambiente que divide as pessoas em “vítima” e “agressor”.

Isso é extremamente perigoso para o cônjuge mais saudável, que geralmente entra no processo esperando justiça e objetividade, apenas para se ver em um jogo onde as regras parecem favorecer a pessoa mais disposta a distorcer a realidade.

“Para qualquer pessoa que seja alvo de um ‘acusador persuasivo’, esta é uma leitura obrigatória. Você aprenderá estratégias para responder às táticas judiciais previsíveis e muitas vezes eficazes dos acusadores. Reconhecendo a importância do planejamento de segurança onde há risco de violência doméstica, os autores defendem de forma convincente a mediação, dado como o sistema adversarial do tribunal de família pode escalar a agressão.” —Hilary A. Linton, JD, LLM

É fundamental entender essa dinâmica, pois ela revela por que suas reações mais naturais são, na verdade, uma armadilha.

2. A Armadilha das Reações Instintivas: Por Que Lutar ou Ceder Vai Destruir Seu Caso

Ao enfrentar um parceiro de alto conflito, os dois erros mais comuns são reagir com agressividade ou ceder passivamente. O livro “Splitting” adverte que, precisamente porque o tribunal já favorece o acusador, ambas as abordagens são prejudiciais.

A abordagem agressiva — tentar “destruir” seu ex-parceiro com as mesmas táticas que ele usa — fará com que você pareça ser o problema aos olhos do juiz. Você se tornará o “divisor” e um participante igual no mau comportamento, dando ao seu parceiro a munição que ele precisa para pintá-lo como desequilibrado.

A abordagem passiva — ceder para evitar conflito — é igualmente perigosa. Ela permite que falsas narrativas se solidifiquem sem contestação. Como o livro salienta, no tribunal, “se você não mencionar as coisas, será como se elas nunca tivessem existido.” Mentiras não corrigidas podem se tornar a “verdade” oficial do seu caso.

O livro recomenda a “abordagem assertiva”: focar em apresentar fatos, documentos e padrões de comportamento de forma calma e organizada. Controlar seus impulsos de lutar ou fugir é difícil, mas é essencial para proteger seus interesses.

3. A Regra Mais Importante: NUNCA Diga ao Seu Parceiro que Ele Tem um Transtorno de Personalidade

Este conselho é apresentado de forma tão direta e enfática que é destacado como o mais crucial de todo o livro. A tentação de finalmente confrontar seu parceiro com o que você acredita ser a verdade pode ser imensa, mas é um erro catastrófico.

“CERTIFIQUE-SE DE MANTER SUA OPINIÃO SOBRE UM POSSÍVEL DIAGNÓSTICO PARA SI MESMO; NÃO A DIGA AO SEU PARCEIRO, NÃO IMPORTA O QUÃO TENTADOR POSSA SER. Esta é a única frase que você verá em todo este livro em letras maiúsculas — é assim que este conselho é importante. Ele sairá pela culatra terrivelmente, desencadeando raiva extrema e defensividade.”

Confrontar seu parceiro com um “diagnóstico” amador não levará a uma epifania. Pelo contrário, apenas lhe dará mais munição. Ele usará essa acusação no tribunal para retratá-lo como o agressor, a pessoa cruel e desequilibrada. Como o livro adverte, isso “sairá pela culatra terrivelmente”, desencadeando a raiva e a defensividade que você mais quer evitar.

4. “Fatos Emocionais” Podem Ser Mais Convincentes que a Realidade (Inicialmente)

O livro introduz um conceito psicológico poderoso: “fatos emocionais”. Trata-se de uma forma de raciocínio emocional, uma distorção cognitiva onde indivíduos “acreditam que a intensidade de seus sentimentos prova a ‘veracidade’ dos fatos”. Se eles sentem que foram traídos ou abusados de uma certa maneira, eles acreditam que isso deve ter acontecido, gerando informações falsas que aceitam como verdadeiras.

Essa carga emocional pode ser extremamente persuasiva para juízes e outros profissionais que não estão familiarizados com essa dinâmica. Uma pessoa em grande sofrimento emocional pode parecer uma vítima crível, mesmo que sua história não seja baseada na realidade.

“Sentimentos Criam Fatos. Em geral, pessoas emocionalmente saudáveis baseiam seus sentimentos em fatos. Se seu pai chegasse em casa bêbado todas as noites (fato), você poderia se sentir preocupado ou aflito (sentimento). Se seu chefe o elogiasse por um grande projeto (fato), você se sentiria orgulhoso e feliz (sentimento).”

A implicação disso é chocante: nos estágios iniciais de uma batalha legal, uma história emocionalmente convincente, ainda que falsa, pode ter mais peso do que evidências concretas. É por isso que manter a calma e focar em fatos verificáveis é sua melhor defesa.

5. Comunique-se com a Técnica BIFF: Breve, Informativa, Firme e Amigável

“Splitting” oferece uma ferramenta prática e estratégica para responder a comunicações hostis: o método BIFF (Brief, Informative, Firm, Friendly). É um escudo para se proteger de e-mails, mensagens de texto e conversas carregadas de acusações.

  • Breve: Mantenha sua resposta curta. Quanto mais você escreve, mais material você dá para o outro criticar e usar contra você.
  • Informativa: Foque apenas em fatos objetivos. Use sua resposta para corrigir desinformações de forma neutra, sem se envolver no drama.
  • Firme: Encerre a conversa de forma clara e sem convites para mais discussão. Soe confiante; uma resposta confiante é menos provável de ser desafiada.
  • Amigável (Friendly): Esta é a parte mais contraintuitiva. Um tom relaxado e não antagônico desarma a hostilidade. “Breves comentários que demonstram sua empatia e respeito geralmente acalmarão a outra pessoa”, impedindo a escalada do conflito.

Exemplo de E-mail Hostil: “Jane, não acredito que você seja tão estúpida a ponto de pensar que vou deixar você levar as crianças para a festa de aniversário do seu chefe durante o meu tempo de convivência. Você não tem memória dos últimos seis conflitos que tivemos sobre o meu tempo de convivência? Ou você está tendo um caso com ele? Eu sempre soube que você faria qualquer coisa para subir na vida! Na verdade, eu me lembro de ir à festa do seu escritório e testemunhar você fazendo papel de boba, inclusive flertando com todo mundo, do CEO ao contínuo! Você está usando alguma droga?…”

Exemplo de Resposta BIFF: “Olá Joe, Obrigado por responder rapidamente ao meu e-mail da semana passada. Só para esclarecer, a festa de aniversário do meu chefe é na sexta-feira, dia 24, das 19h às 21h. Isso é durante o meu tempo de convivência. A babá trará as crianças para a sua casa no horário regular de troca, às 18h de sexta-feira. Tudo de bom, Jane”

A resposta de Jane é perfeita. Ela é breve, corrige a desinformação, encerra a conversa firmemente e mantém um tom neutro. BIFF não é sobre ser passivo; é uma estratégia inteligente para proteger sua energia e não criar provas contra si mesmo.

Conclusão: Uma Reflexão Para o Futuro

A mensagem central do livro “Splitting” é clara: sobreviver a um divórcio de alto conflito tem menos a ver com questões legais e mais a ver com personalidades difíceis. Exige o domínio de estratégias contraintuitivas e uma profunda disciplina emocional e estratégica. As cinco lições apresentadas aqui não são apenas dicas jurídicas, mas ferramentas para recuperar sua agência psicológica em um processo projetado para miná-la.

Armado com este conhecimento, qual é a primeira mudança estratégica que você fará para recuperar o controle do seu processo e proteger sua paz de espírito?

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