Thomaz Franzese – ONG PARENTAL
“Quando a justiça se cala, o amor precisa gritar.”
Eu não fundei a PARENTAL por vocação. Eu a fundei porque a urgência me cercou, me sufocou, me obrigou a agir.
Eu vi o impossível acontecer diante dos meus olhos, repetidamente: pais sendo marginalizados e afastados da vida dos seus filhos, não por falta de amor, mas pela força implacável da manipulação; não por ausência física, mas por um sistema que, em sua falha, transforma o vínculo mais profundo em suspeita e desconfiança. Vi crianças sendo, dia após dia, reprogramadas para odiar aqueles que, por natureza, deveriam ser seus protetores. Vi o afeto sendo visto como uma ameaça. Vi a mentira se tornando uma rotina insustentável. Vi o silêncio se convertendo em uma sentença cruel e sem apelação.
E, mais dolorosamente, aprendi na pele uma verdade implacável: quando um vínculo é destruído, o tempo não traz cura. O tempo apenas passa. E, em muitos casos, ele passa por cima de tudo, deixando um rastro de dor e perda irreparáveis.
A alienação parental é uma violência sem sangue, mas não sem vítimas. Ela não deixa hematomas visíveis, mas deixa espaços vazios, aniversários sem o calor de um abraço, mensagens não respondidas, fotos transformadas em provas de “ameaça”. Ela não grita, mas vai se infiltrando na vida, corrompendo as percepções, fazendo com que a criança veja como ameaça o que deveria ser o seu porto seguro. Ela não mata o corpo, mas sequestra a alma, roubando a infância, a confiança e o direito de ser amado.
No Brasil, milhares de pais são injustamente afastados de seus filhos, milhas de crianças crescem em um ambiente de medo e insegurança, sem poder expressar seu amor livremente. São histórias interrompidas no meio da frase, vidas desviadas por medo, mentiras, vingança e, muitas vezes, pela omissão daqueles que deveriam proteger. O que mais me dói é ver a justiça, que deveria ser um escudo, sendo usada como uma lâmina cortante, uma arma contra quem deveria ser defendido. Ver o processo judicial se transformando em um castigo imerecido, o rito jurídico em uma ferramenta de opressão.
A Lei Maria da Penha é uma conquista fundamental e sagrada, criada para proteger aqueles que sofrem violência. Ela deve ser defendida com todas as forças. Mas quando essa lei é usada para afastar pais sem qualquer evidência de abuso, ela perde sua função de proteção e se transforma em uma ferramenta de punição injusta. Ela vira um instrumento de expulsão, não de cuidado. Ela se torna uma desculpa para o abuso, não uma barreira contra ele. E isso não fortalece as mulheres. Isso não protege as crianças. Isso apenas cria um ciclo de injustiça legalizada, com a chancela de um carimbo oficial.
“Quando um filho é usado como escudo, a infância é sequestrada.”
A dor do pai alienado não é apenas “saudade”. Ela é, na verdade, a impotência institucionalizada. É estar à margem da vida de seu próprio filho, como quem assiste a um mundo fechado por vidro, sem poder interagir. É ser tratado como ameaça quando, na verdade, o que se deseja é o mínimo: presença, convivência, vínculo. Uma simples chance de estar ali, de ser quem sempre foi, de cuidar.
E a dor da criança alienada não é apenas “confusão”. Ela é uma culpa cravada no peito desde cedo. É um medo constante de amar e ser amado. É aprender, desde cedo, que o afeto pode ser perigoso, e que lealdade significa odiar alguém para sobreviver. É crescer com um vazio no coração, onde deveria estar a confiança, e carregar essa ferida emocional pela vida afora, muitas vezes sem nem perceber a profundidade do que foi perdido.
A PARENTAL nasceu para interromper esse ciclo vicioso. Ela surgiu para ser a ponte onde só construíram muros. Para ser a voz onde o silêncio foi imposto. Para ser o ouvido atento onde só houve julgamento. Para transformar desinformação em estratégia. Para criar uma rede onde existia apenas isolamento. Para transformar um sistema colapsado em um caminho de restauração e esperança.
Aqui, nós acolhemos.
Nós orientamos.
Nós organizamos.
Nós fortalecemos.
E, quando for preciso, nós enfrentamos.
Se você está lendo esta carta, talvez esteja vivendo o que ninguém deveria viver: sendo apagado, desacreditado, isolado, e ainda sendo forçado a sorrir para não ser rotulado como “instável”. Talvez você esteja lutando para não esquecer o som do riso do seu filho, ou tentando desesperadamente provar ao mundo uma verdade que deveria ser óbvia:
Amar não é crime.
Ser pai não é ameaça.
Vínculo não é arma.
E é com toda a clareza que eu afirmo:
Você não está sozinho.
Você nunca esteve.
A PARENTAL é sua trincheira, mas não para alimentar a guerra.
Ela é para defender a verdade.
Para proteger a infância.
Para restaurar a presença.
Para devolver nome àqueles que viraram números.
E para devolver futuro àqueles cujo futuro foi roubado.
Porque ajudar não é apenas consolar.
Ajudar é transformar destinos.
Com coragem,
Thomaz Franzese
Fundador – ONG Parental